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Madrugada. Os três ônibus que vão levar de volta às suas aldeias e comunidades no sul do Mato Grosso do Sul, os Kaiowá Guarani, vão sendo apinhados de corpos cansados, sonolentos, mas alegres e esperançosos.
Afinal de contas eles não foram apenas os anfitriões desse do mais importante
momento do movimento indígena do Brasil, mas foram também seus animadores, com
seus constantes rituais de invocação das forças protetoras da vida e da
natureza. Eles também deram a tônica das fortes denúncias de violação de seus
direitos, discriminação, criminalização e assassinato de suas lideranças. A
denuncia configura um claro processo de etnocídio e genocídio de seu povo.



O Acampamento terra livre é o grande espaço de solidariedade, debate dos problemas, desafios e definição das estratégias do movimento indígena em termos nacionais. As primeiras seis edições do evento se
deram acampando na esplanada dos Ministérios, em Brasília. Diante do gravíssimo
quadro de violência e violação dos direitos dos povos indígenas no Mato Grosso
do Sul, foi decido que o acampamento se realizaria neste estado, como forma
concreta de concretizar essa decisão. Isto aconteceu de 16 a 20 de agosto.



A Tonica principal dos debates foi a questão da terra, violência e criminalização dos povos indígenas no estado e no país. Após apresentação de um ritual pelos Xavantes, a lideranças explicou “Podem pensar
que fizemos uma dança alegre. Mas não é. É o grito de guerra pela terra, pela
terra Guarani”.



Três boas notícias



No decorrer do acampamento algumas notícias e decisões trouxeram alegria e animo, em especial aos povos indígenas do Mato Grosso do Sul. A primeira foi a decisão do Supremo Tribunal Federal anulando a ação que
determinava o aviso prévio de dez dias para os antropólogos realizarem
trabalhos de levantamento de informações nas fazendas. Com isso a FUNAI está
liberada para imediatamente colocar os Grupos de Trabalho em campo para
concluir dentro dos próximos meses os trabalhos de identificação de todas as
terras indígenas Kaiowá Guarani e Terena no Mato Grosso do Sul.



A outra boa noticia foi a decisão do Tribunal Regional Federal de São Paulo concedendo mais 90 dias de permanência da comunidade de Kurusu Ambá na parte da área de seu tekoha, retomado em novembro do ano
passado. Esse é o tempo suficiente para a FUNAI publicar o relatório de
identificação da área, e com isso dar uma tranqüilidade definitiva ao grupo



E , finalmente, a notícia do retorno da comunidade de Ypo’i ao local em que foram assassinados Genivaldo e Rolindo. A intenção é procurar até encontrar o corpo de Rolindo. O acampamento Terra Livre aprovou uma moção de apoio, em que está expresso “Os
povos indígenas do Brasil reunidos no VII Acampamento Terra Livre, em Campo
Grande, exigemos justiça e a localização
do corpo de Rolindo.



Envolvidos em grande dor pela perda de seus queridos filhos, Genivaldo e Rolindo, os familiares e a comunidade de Ypo’i esperam todo apoio e não a cruel violência que resultou nos dois assassinatos e vários feridos.
Esperam solidariedade e apoio a seus direitos e qualquer ato de violência será
de responsabilidade dos governos federal e estadual.”



No documento final do encontro o principal acento foi a exigência da urgente demarcação e garantia das terras dos povos indígenas do Mato Grosso do Sul. Mas também fizeram criticas contundentes ao
atual modelo econômico. “Não pode mais prevalecer sobre a vida e o bem viver
dos nossos povos e da própria humanidade, a imposição de um modelo de
desenvolvimento depredador, voltado a satisfazer apenas os interesses, o
bem-estar e o exacerbado consumismo de uma minoria. Mesmo submetidos a mais de
500 anos de genocídio e etnocídio contínuo, os nossos povos tem muito a ensinar
e contribuir com seus saberes ancestrais e com a preservação de seus
territórios, a sobrevivência do planeta terra e da humanidade. Por tudo isso, o
VII Acampamento Terra Livre vem a público cobrar do Estado Brasileiro o
cumprimento de seu papel constitucional de garantir o respeito aos nossos
direitos reconhecidos pela Constituição Federal e tratados internacionais
assinados por ele.”



Como ato final do VII Acampamento Terra Livre foi realizado uma marcha denunciando as violações aos direitos indígenas, em especial contra as graves violências que se abatem sobre os povos indígenas, a negação da
terra, por parte do agronegócio , governo do estado e políticos regionais.
Denunciaram a negação de realização do encontro no Parque das Nações Indígenas.



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Tags: Egon, Heck

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