Pragmatismo e Diligência,
no contexto do Sonhatismo de Marina.
Alguma coisa vinha me incomodando nas reiteradas resistências que muitos membros do Movimento Marina Silva (MMS) vêm apresentando à idéia de partirmos para a criação de um Partido Político já. Já manifestei nesse espaço minha frustração com o encontro de 07 de julho, que foi uma grande reunião onde foi comunicado ao País a desfiliação do grupo de Marina do PV, sem que o (por mim e por muitos) esperado anúncio da criação de uma nova legenda fosse feito.
A despeito do fato de que é unânime entre nós o desprezo pela prática da Velha Política, não há como não se render à evidência de que o projeto de Marina é um projeto político no sentido grandioso que essa palavra ainda terá no Brasil, e que a transformação do país passa pela conquista do poder por um novo campo, que está se convencionando chamar de Nova Política.
Que a ferramenta “partido político” é a única disponível numa democracia para atingirmos o desiderato de implantarmos a Nova Política no Brasil também é fato inegável e merecedor do título de “consenso”, mantendo-se muito longe de nós (e aí o quão longe já não se encontra no campo do consenso) de que a democracia direta, virtual ou não e a possibilidade das candidaturas avulsas apartidárias, entre outras formas, digamos “inovadoras” de se fazer política, poderiam ser bandeiras do campo da Nova Política, são, e isso é inegável, expectativas muito distantes da possibilidade de serem viabilizadas pela figura humana e viva de Marina.
Então o que nos resta é a pergunta que não quer calar, e que vem martelando minha cabeça: quando partiremos para um novo Partido Político, que aglutine as forças da Nova Política, e sob que valores e práticas ?
Negar esse movimento,é se colocar no campo da “operação” dos contingentes mobilizados pelo Movimento Marina Silva, que ganhou dimensão nacional pelo projeto de colocar Marina na Presidência da República. E se é uma “operação” de contingenciamento do clamor pelo novo, essa também é uma maneira ainda evidente de se experimentar a velha forma de fazer política.
Se um dos valores fundamentais da Nova Política for a transparência, uma vez que acredito ser este um valor também merecedor do título de consenso, há que se trazer à discussão pública e horizontal no Movimento, acessível aos seus 46 mil membros, a questão do “se e quando” estaremos em campo com uma nova militância organizada na forma de Partido Político, uma vez que a forma de Rede também vem se caracterizando como um novo consenso.
Tenho observado nas críticas a esta postura aberta e transparente para atendimento de um “quase clamor – ainda latente -” da militância pelo estabelecimento do processo de fundação de um novo partido político, a alegação de que isso é “pragmatismo” e às vezes precipitação.
Tal caminho, uma vez estabelecido imediatamente, induziria ao sentimento de que tal postura afasta a militância do momento sonhático que as bases do Movimento Marina Silva vêm experimentando, através dos encontros recentes, e da perspectiva de “migração, sublimação ou evolução” deste Movimento, com data agendada para acabar em 03 de Outubro próximo.
Alguma coisa no meu coração indica que esse é um falso dilema.
Fui aos meus oráculos em consulta sobre essa inquietação e busquei nas 6 paramitas do budismo tibetano, também chamadas de 6 perfeições, as bases da reflexão para essa diferenciação entre o pragmatismo, característica perniciosa da velha política, e a Diligência, uma das 6 perfeições budistas .
Segundo meus gurus, estas perfeições, “são métodos de conduta para todas as ações de nossa vida. São também antídotos para a forma muitas vezes negativa que a nossa mente funciona, que nos prejudica e aos outros também. Elas são: generosidade, paciência, disciplina moral, diligência, concentração e conhecimento transcendental (ou sabedoria). Disciplina moral é a perfeição de fazer as coisas de maneira correta e a principal forma de atuar é não prejudicar os outros, criando o menor impacto negativo possível no mundo que nos cerca. Diligência é a perseverança na ação. O que se busca é uma diligência alegre, isto é, não considerar nossas tarefas como um fardo e sim nos alegrarmos por sermos capazes de fazê-las, indo até o fim daquilo que começamos.”
A resposta a minha consulta resolveu o falso dilema na minha cabeça, e gostaria de compartilhar essa solução com todos os membros do Movimento, com o objetivo de adiar a data fatal de 03 de outubro, como momento de dissolução desta grande iniciativa, que é a plataforma em rede do apoio à Marina no nosso projeto de consolidação da Nova Política no Brasil.
A mim parece claro que a transmutação do Movimento em qualquer coisa que não seja aperfeiçoá-lo como plataforma política em rede, para levar adiante o projeto de levar ao poder o campo da Nova Política me parece a interrupção de um processo, uma forma de não levá-lo ao fim, uma forma de não perseverar, dissolvendo algo muito difícil de aglutinar, que é um contingente enorme de pessoas mobilizadas pela Nova Política.
A construção de um partido político num país como o Brasil é uma tarefa de grandes proporções. As demandas são enormes. Os planos – político, humano, ético, moral, semiótico, jurídico, burocrático, financeiro – todos se misturam e se agigantam, sobretudo quando se trata de realizar algo realmente novo. A magnitude do desafio impõe a questão óbvia de quantos antes o processo se estabelecer, melhor.
Não há porque temer.
Não há pressa, mas...
Não há tempo a perder !!!
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Dia 6 de setembro foi postado uma Consulta com 180 perguntas com vistas a definirmos as bases do Novo Movimento ( http://bit.ly/qQ4dyB ) . Muita gente reclamou pela dificuldade de responder por causa do acúmulo e da formatação.
Com o blog recém criado do questionário do Movimento ficou fácil e agradável respondê-lo! Clique no site: http://bit.ly/oZmt5v , abra as postagens com pequenos blocos de tópicos e responda]deixe seus comentários ao final. Vamos nos empenhar! Não se preocupe com o formato e a exatidão; o que importa é o poder da colaboração em massa: "No real da vida, as coisas acabam com menos formato, nem acabam. Melhor assim. Pelejar por exato, dá erro contra a gente." G.Rosa
Você pode também aproveitar e se registrar na plataforma de governo participativo onde o blog foi criado www.minasparticipativa.org. Assim, você pode participar de todos os sites dele (42), criar Grupos, fóruns de discussão, blogs etc. É uma forma de aprendermos e construirmos juntos com os Mineiros e replicarmos para o Novo Movimento rumo ao Brasil que Queremos Ser, criando uma plataforma Web 2.0 de democracia direta a nível nacional
Comentário de Luis Henrique Moreira Ferreira em 23 agosto 2011 às 2:34 Adilson: não acho que seu texto abaixo trouxe algum argumento que modifique o contexto da idéia central que é a de um Partido Político já. No mínimo, uma consulta horizontal a todos os 46 mil membros desse movimento seria obrigatória se quisessemos sustentar esse espaço como democrático. Existem consensos mais do que explícitos para a formação do novo partido, que foram defendidos por Marina na Campanha de 2010, e nele, por exemplo, não há qualquer menção ao socialismo, como esse exemplo que vc citou de "expropriar latifundios para transformar em reservas florestais" nem tampouco ao capitalismo especulativo. Ela falou sim da Nova Economia, da Economia Verde, da Cidadania, enfim, de um monte de valores que bastam para carregar 20 milhões de seguidores... Esse papo de socialismo e comunismo tá mais do que claro que é uma dualidade do Século XX, que nossos filhos e netos não vão nem se lembrar. O caminho é construirmos o Soft Power da Sustentabilidade, para superar o capitalismo especulativo.O Lulo-petismo deu conta de enterrar a antiga esquerda no país, e agora, o que nos cabe é o caminho da cidadania e da sustentabilidade, num sobrepasso em relação a essa dualidade que vai ficando pra trás... E transparência, horizontalidade, democracia, são os novos valores que vão se universalizando e que cabem sim num novo partido. Mas por ora, vamos ter que esperar, já que nossa líder assim o deseja........ Pelo menos é o que parece, uma vez que nesse MMS ninguém circularizou com eficácia o que seus membros pensam....
Comentário de Adilson Samuel de Oliveira Adão em 21 agosto 2011 às 23:50 Às vezes o as pessoas confundem a palavra 'pragmatismo' com a palavra 'imediatismo', e nesse movimento as pessoas confundem muito. Não sou nenhum especialista, mas pelo que eu sei, pragmatismo é pensar em diversas possibilidades e decidir pela opção mais vantajosa, para isso se basear na experiência própria ou de outros, partir de um ponto que já conhecemos e valer-se disso para conseguir o que quer, e o que é mais vantajoso.
E nosso movimento "Sonhático" é "Pragmático"
Não há nada mais pragmático do que disponibilizar sites para discussões políticas, ou organizar um dia por mês para uma reunião entre todo o Brasil, estamos usando o que temos, e que já foi mostrado em outros países que é possível pela internet organizar movimentos políticos.
Numa coisa eu concordo com seu texto, que não podemos nos limitar a somente ficar na subjetividade, "discutir, conversar, planejar...bla bla bla..." temos que agir sim e com os pés no chão.
Mas criar um partido político é sonhar errado em minha opinião (pelo menos de imediato). Porque a diversidade de pensamentos nessa comunidade é imensa, são socialistas e capitalistas, com apenas dois pensamentos em comum: fazer uma nova política e consciência ambiental. Mas em regra, nem todos tem os mesmos meios para isso o capitalista, por exemplo, acredita em créditos de carbono enquanto o socialista luta pela estatização de latifúndios pra reservas florestais. Num partido, por mais que haja diversidade de pensamento, deve haver muitos pensamentos comuns a todos os membros, e um consensenso na maior parte das questões, enquanto que um movimento se baseia no fim de um único objetivo, e o nosso de imediato é a nova política.
E para isso precisamos primeiro mostrar os motivos disso a sociedade, fazer o Brasil enxergar o “Peemedebismo” (que trata basicamente da falta de rotatividade do poder, e que a política deixou de ser para o bem social para ser para o bem particular, na simples busca pelo poder), mostrar também que a voz da População não está sendo escutada (falo dos vinte milhões de votos protestando contra a mesmice), o Povo inteiro tem que ver o que realmente tem de ruim na nossa democracia déspota para que tenhamos apoio, e não sejamos um movimento fechado, o objetivo é o maior que um partido, é o Brasil a meu modo de ver, é a luta por uma mudança política, aberta a todas as pessoas, sem permitir a alienação em massa. Como disse um professor meu, “a movimentação das pessoas no metrô de manhã é similar a uma boiada indo pro matadouro, todos quietos perante a tudo aquilo”.
É mais vantajoso para nosso objetivo, aparecer na mídia televisiva com imensidão, para mostrar que “existe uma esperança para o Brasil” do que fundar um partido, pois se os bons militantes de outros partidos virem isto irão tentar lutar dentro do próprio, e talvez irem migrando de partido em partido, até que estes percebam que não há outro meio se não mudar. É difícil, mas não impossível.
sobre os alteradores do código florestal
Comentário de Carlos Silva em 17 agosto 2011 às 20:38
Comentário de Acauã Rodrigues dos Santos em 14 agosto 2011 às 21:38 Bem-vindo a
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