Juacy da Silva
O desespero e o pavor de perder as eleições estão tomando conta não apenas do comando da campanha da candidata do Palácio do Planalto, mas também do inventor da referida candidata e demais donos do poder.
Ao longo dos últimos quase oito anos de governo Lula foram criados milhares de cargos de livre nomeação, os chamados "cargos em comissão", tanto na administração direta quanto nas estatais, os quais passaram a servir de moeda de troca para as barganhas políticas e partidárias com a finalidade garantir a maioria parlamentar no Congresso que tão docilmente obedece as ordens do presidente.
Além do uso dos cargos também tem ocorrido o aparelhamento da administração pública brasileira pelo PT e partidos aliados, os quais passam a gerir orçamentos bilionários, usando e abusando das regalias que tais ministérios e empresas oferecem aos seus dirigentes. Tais regalias envolvem tanto a designação de amigos, companheiros e camaradas para cargos com altos salários e outras mordomias como também a manipulação dos orçamentos muitas vezes sem levar em conta as normas legais de uso dos recursos públicos.
Como o governo federal, incluindo as estatais, dispõem de orçamento na ordem de centena de bilhões de reais com os quais deve, além de pagar os gastos correntes, também usar essas vultuosas importâncias com investimentos, serviços e outras formas de pagamento a terceiros, inclusive os gastos com a dívida pública interna e externa, podemos imaginar como tais partidos são tentados a usar esses recursos com a finalidade política e eleitoral.
Não bastassem essas formas diretas e já conhecidas de gerenciar os recursos orçamentários a opinião pública aos poucos, graças às denúncias dos meios de comunicação, já que os organismos de controle interno, por fazerem parte da estrutura do governo quase nunca se antecipam as denúncias de corrupção, toma conhecimento de verdadeiros escândalos que acontecem na antessala do presidente e em outros ministérios e estatais.
O tráfico de influência, a corrupção e o nepotismo parecem ser as marcas registradas no atual governo. Enquanto prática política muito se parece com tudo o que vem ocorrendo em nosso país há séculos. O que chama a atenção é o fato do PT sempre ter tido um discurso moralizador, de oposição a tais formas de governar, isto quando era um partido de oposição feroz, mas ao chegar ao poder transformou-se em mais um partido que faz alianças espúrias, usa das estruturas do poder para corromper e corromper-se ainda tenta posar de virgem pura, casta e bela.
A permanência de um mesmo grupo no poder, pouco importa se civil, militar ou religioso tende a descambar para a corrupção, para o nepotismo, para o autoritarismo e pelos desmandos.
É contra esta perspectiva que mais de dois terços do eleitorado brasileiro não votou na candidata do Palácio do Planalto no primeiro turno, por mais empenho que o Presidente da República tenha feito e nisto sendo seguido pela sua equipe e correligionários nos estados.
O grande medo dos atuais donos do poder é a possibilidade de a oposição ganhar as eleições neste segundo turno e conquistar o poder e aí chegando poder ir mais a fundo nas investigações que no atual governo ficam sempre em banho-maria. Exemplos típicos foram o "mensalão" e o mais recente caso Erenice, braço direito da ex-ministra e candidata que acabou também por renunciar ao cargo de ministra-chefe da Casa Civil, o coração do governo Lula, onde esses escândalos aconteceram.
Daí podermos perceber a forma agressiva, destemperada como pessoas detentoras de altos cargos tem usado ultimamente, propondo até mesmo "varrer a oposição", numa linguagem muito própria de governantes totalitários que não conseguem conviver nem com a oposição e nem com a alternância de poder.
Parece que a manipulação das pesquisas não está mais funcionando e a candidata mãe do PAC parece que não consegue crescer junto ao eleitorado, por mais empenho que o governo tem feito. Parece que alguma coisa está mudando. Oxalá, o povo consiga abrir os olhos e perceber o quanto tem sido manipulado nos últimos anos.
Juacy da Silva é professor universitário, mestre em sociologia, colaborador de A Gazeta. Site
www.justicaesolidariedade.com.br E-mail: professor.juacy@yahoo.com.br
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