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O Código Florestal, o compromisso de Dilma Rousseff com o PV e a nova forma de fazer politica de Marina

O adiamento da votação do Código Florestal na última quarta-feira demonstrou que não é verdade que haja quase 98% de consenso entre o governo e o relator, deputado Aldo Rebelo. Ao contrário, os pontos de divergência são a parte central da legislação. Como não chegaram a acordo, não havia texto e não seria possível votar matéria de tamanha relevância sem conhecer o conteúdo das propostas previamente.  O PV adiantou-se ao risco e pediu uma liminar para suspender a votação. Não foi necessário. O próprio líder do governo, Dep. Candido Vaccarezza, anunciou em plenário a decisão.

 

Foi providencial o esforço da sociedade civil organizada, sob a liderança da ex-Senadora Marina Silva, para garantir as condições de negociação e discussão da proposta. Marina é a destinatária da carta na qual a então candidata Dilma Rousseff assume o compromisso de vetar dispositivos do Código Florestal que permitam a anistia aos desmatadores e a redução das APPs e da Reserva Legal. Esse compromisso da Presidente é hoje a maior garantia que a sociedade civil tem de que o governo federal não permitirá a aprovação de uma lei que imponha retrocessos na questão florestal.

 

Não há como negar a contribuição dada por Marina Silva ao tema. Foi Marina que interveio junto a ACM, à época presidente do Congresso, para retirar da pauta o famoso relatório Micheletto, de conversão da Medida Provisória 1511, em 1999. É ela a  responsável pela significativa mudança de tratamento da questão do desmatamento na Amazônia, e a consequente queda das taxas (agora ameaçadas com a mera sinalização da anistia prevista por Aldo Rebelo). E foi a partir de sua liderança que o tema da sustentabilidade entrou na agenda política brasileira.

Não é a toa que do Congresso ecoam maledicências disseminadas por uma parcela da mídia, minimizando seu papel nesse momento crucial da discussão do Código Florestal. Diminuir o papel da principal liderança ambientalista da sociedade, e escamotear seu papel no apoio aos esforços da bancada do PV na Câmara é uma estratégia que só interessa aos que não querem ver o compromisso com as Áreas de Preservação Permanente e a Reserva Legal cumpridos.

O adiamento da votação do Código Florestal é apenas mais um capítulo de uma novela que já dura mais de 10 anos. As tentativas de alteração do Código Florestal se intensificaram após a aprovação da Lei de Crimes Ambientais, em 1998. Vários projetos de lei com o mesmo fim foram apresentados no Congresso Nacional nesse período. Em todas as oportunidades de discussão a votação não chegou ao fim porque a cada rodada de negociações novas alterações eram introduzidas na lei, majoritariamente no sentido de reduzir a proteção das florestas.

Em todos esses anos, foram várias as tentativas de lideranças e organizações da sociedade civil de apresentar propostas que atendessem as demandas legítimas do setor rural em relação ao Código. As exceções aos agricultores familiares, os incentivos aos produtores rurais que mantém áreas de floresta nativa em suas propriedades, as possibilidades de compensação e o fomento ao uso sustentável da Reserva Legal. Nenhuma das propostas foi acatada, porque há uma opção clara dos representantes políticos do setor rural de destruir o Código. O objetivo por trás do relatório do Deputado Aldo Rebelo não é ter uma legislação moderna, que coloque o Brasil na vanguarda da economia florestal. O objetivo é não ter uma legislação ambiental que se aplique às propriedades rurais.

É a lógica do quanto pior melhor. Qualquer um pode conferir lendo o último relatório apresentado pelo Deputado Aldo Rebelo (veja aqui). Só para citar um exemplo do texto, não está claro que a Reserva Legal, figura jurídica existente desde a primeira versão do Código, de 1934, é uma área de floresta. Todas as formulações que explicitavam isso foram retiradas do texto. Veja aqui outros pontos críticos.

O compromisso de Dilma

No primeiro turno da campanha eleitoral de 2010, a então candidata Dilma Rousseff respondeu ao questionamento das organizações não governamentais que compõem o SOS Florestas, coalizão que defende o Código Florestal, colocando-se contra a anistia aos desmatadores prevista no relatório do Deputado Aldo Rebelo. No segundo turno da campanha eleitoral, Dilma Rousseff respondeu à proposta de pontos programáticos apresentados pelo PV colocando-se de acordo com o veto a propostas de alteração do Código Florestal que reduzam áreas de preservação permanente e de reserva legal, além da anistia para desmatadores. O adiamento da votação demonstra que a Presidente Dilma Rousseff está preocupada em fazer valer esse compromisso. Há mais do que subsídios suficientes para elaboração de um texto que atenda a todas as demandas legítimas que estão na mesa, embora, como tenham alertado os cientistas da SBPC e da ABC, a ciência poderia ajudar muito mais, se quiséssemos ter uma lei realmente inovadora e cientificamente embasada.

Vamos enfrentar a discussão e buscar o melhor caminho, com bom senso, transparência e fundamento. Mudar a lei só porque tem gente que não cumpriu não é uma prática republicana.

 

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Tags: Código, Florestal, Marina, PV, Silva

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Comentário de Auriluz Pires em 11 maio 2011 às 15:13
Tenho tidoinsônia por causa desse Código Florestal. Nunca pude imaginar que o Deputado Aldo Rabelo fosse preso a um único tema e fosse tão insensível. Não adianta o novo Código gerar renda, empregos, pois isso durará pouco, depois não haverá como plantar e não haverá recursos, nem no campo, nem na área urbana.
Comentário de Auriluz Pires em 11 maio 2011 às 15:09

Não podemos deixar que permitam plantações a beira de rios, pois sabemos que não ficará só niso, é possível que até construam.

BRASÍLIA - O governo foi vencido na negociação da reforma do Código Florestal, mas mesmo assim o texto será votado na tarde desta quarta-feira. O resultado do acordo fechado entre o relator da matéria, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e o governo é que ficam liberados de reflorestar reserva legal (área de proteção obrigatória nas fazendas) todos os proprietários com menos de quatro módulos fiscais (de 20 a 400 hectares). É isto que irá constar do relatório que será apresentado ao plenário, informou o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP). No entanto, o governo, por meio de seu líder, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), manifestará sua discordância com relação a este ponto.

INFOGRÁFICO: Confira os principais pontos do projeto

NOVOS CRITÉRIOS : Governo negocia abrir mão de reflorestar 23 milhões de hectares

OPINIÃO : 'Faltou participação da sociedade no Código Florestal', diz advogado especializado na área ambiental

DESCONTENTES : Servidores criticam concessões do governo ao Código Florestal

Por outro lado, o agricultor familiar terá um status diferenciado no texto e poderá ser recompensado para reflorestar áreas desmatadas em suas terras por meio da introdução do programa de Pagamento por Serviços Ambientais.

Além disso, o acordo inclui uma lista com as atividades que serão autorizadas a permanecer em Áreas de Preservação Permanente (APPs), como margens de rios, encostas e topos de morros. Segundo Teixeira são: café, maçã, uva e fumo.

- Tentamos construir um texto que fosse do governo. Esse acordo é o acordo que foi possível. Não é o acordo dos sonhos e portanto será ressalvado. Ainda que haja questões que tenham que ser melhor definidas no futuro, grande parte do acordo representa um equilíbrio entre o tema ambiental e o agrícola - disse Teixeira.

Aldo Rabelo ainda faz últimos ajustes no texto

O consenso foi alcançado ainda na noite de terça-feira, mas o texto final ainda está sendo redigido e só será conhecido, segundo Teixeira, por volta das 14h.

Sem o texto, que ainda passa por ajustes, a sessão no Plenário da Câmara foi aberta às 9h, sem que a votação fosse iniciada. O próprio Aldo Rebelo disse que está fazendo os últimos ajustes no texto. Depois de pronto, o documento será entregue aos líderes e aos partidos para apreciação.

- O texto está pronto e estamos concluindo a redação do Artigo 8º, que trata das áreas de proteção permanente (APPs). Temos acordo para votar e vamos naturalmente submeter aos líderes e aos partidos para que façam a avaliação - disse.

Segundo Aldo Rebelo, ficariam liberados de fazer a recompsição de áreas desmatadas até junho de 2008 os proprietários de terras com até quatro módulos fiscais. O tamanho do módulo fiscal varia de acordo com a região, mas precisa ter, no mínimo, dois hectares.

 

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