Movimento Marina Silva

VELHA NATUREZA, NOVA POLÍTICA                              

                                                                                          Por José Paulo Teixeira

 

                “Política é como nuvem: vive mudando de lugar" e "político muda de posição como muda de roupa”, diz a vulgata “política para políticos”. Sabemos que não é bem assim pois a Política é algo humanamente vil e nobre, apaixonadamente complexa e desafiadora.

 

***                                             

Acompanhei com atenção e grande interesse, aqui de casa pela webcan, as quase 4 horas da reunião de ontem, 13/09/2011.

O Movimento “Por uma nova política” deu passos importantes, por um lado e, literalmente, flutuou, por outro, o que alguns podem justificar que “não poderia ser diferente”. Talvez.

Existe um processo que está na cabeça das pessoas engajadas – na minha, inclusive - e ainda não foi encontrado um jeito ou maneira para se construir um consenso na diversidade sobre Para Onde Estamos Indo/Sendo. Devemos continuar tentando, mas, com olhos bem abertos e sentidos aguçados.

Talvez porque perdemos de vista a noção de que a democracia é “o regime de estabelecer limites” (Castoriadis) ou então “a decadência que precede ao fim – não o fim (the end), como prefiro.

Ideias como “coletivo e individuo”, “ser humano e natureza”,” alma e corpo” , “não políticos e políticos”, quando tratadas como coisas e valores iguais dão uma noção da metafísica que materializou-se na reunião, portanto,no processo de criação do movimento e, mais uma vez, o momento deixou-se capturar pelos” novos mesmos (pensamentos e valores políticos) de sempre”.

Razão pela qual a fórmula “sou +1” pode ser simplificadora ou reducionista. Política/s - Rede, Partido e/ou Movimento é mesmo muito complicado – algo bem importante enfatizado na reunião – assim como “construir o consenso demora”, mas é pra isso que teimamos no exercício apaixonado pela política e a escrita.

E, de fato, pelas interpretações dominantes, não poderia ser diferente pois – em que pese todos os esforços dos organizadores na tentativa frustrada do rigor democrático quanto à distribuição equitativa da palavra (a tal da audiência),  ainda fazemos a NOVA POLÍTICA com as práticas da VELHA NATUREZA discursiva que é próprio da e do (animal) político, com ou sem mandato.

Algumas questões vieram-me durante a reunião, e não as escrevi na hora pois já passara da meia-noite, mas considerem-nas observações afetivas - e não questionamentos peremptórios - de alguém que, de fora mas “um pouco de dentro”, pensa muito sobre os rumos do Movimento, que já podem ser sentidos, traçados ou, em parte, enunciados, senão vejamos:

 

1. A velha natureza está bem forte e presente nas formulações da nova política. O animal político chamado ‘sapiens’ é mesmo ‘osso duro de moldar’. Haja tijolos.

 

2. O movimento universaliza uma visão de processo civilizatório que vai das hordas as bordas, da má à boa política, dos pragmáticos aos sonháticos. Velhas dicotomias, novas vestimentas.

 

3. Gerundiando o “para onde estamos indo, sendo”, a direção continua “representativa” e composta de mandatários e notáveis. Parlamentares ou quem foi candidato majoritário em 2010 já tem lugar cativo na área de cobertura.

 

4.A coordenação provisória nacional – integrada por notáveis, nem poderia ser diferente, talvez - e mais dezoito membros, com dois representes dos grupos que serão eleitos pela assembléia permanente  sairá da “nuvem democrática”.

 

5. O igualitarismo da “democracia” da palavra, com tempos iguais entre homens e mulheres parece ter prejudicado a parte mais importante da reunião - como sempre acontece na velha política: a proposta já está pronta e nem se perde tempo para se discutir os “encaminhamentos”  (direção invisível ou transparente?).

 

6. Quando membros presentes (alguns desconhecidos do grande público) sugeriram outros grupos, argumentou-se que não se poderia montar novos grupos agora; quando um dos coordenadores sugeriu uma data-limite para o evento nacional  e um grupo para redigir um documento para animar as discussões – sem prejuízos da proposta dos grupos e coletivos – nacional, estadual - métodos de composição, também não havia tempo e sequer foi considerada : a nuvem decide; mas quando dois senadores admiráveis sugeriram dois novos grupos – educação e renda mínima...

 

7. Nunca se sabe qual é a melhor prática da democracia: quando se igualiza os dessemelhantes ou quando se assemelha os desiguais

 

8. A questão da ‘nova hierarquia’ – que não deve ser confundida com hierarquia na distribuição de poderes – mas  criação e distribuição de afetos e devires – a começar pelo mais poderoso dos afetos  – bem que poderia ser discutida algum momento no Movimento.

9. O discurso de que o movimento não é movimento para criar um novo partido é outro ponto que  merece ser exaustivamente pensado.  Neste ponto, não há um antes e um depois, penso.

 

10. Finalmente, algumas palavras sobre a medula de nossos entendimentos: cada corpo, um movimento; cada instituição, um pensamento. Não estaria aí a chave de acesso à Nova Política? 

      Talvez tenhamos alguma chance de estarmos inventando uma NOVA POLÍTICA mesmo que contrarie a VELHA  NATUREZA.

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Comentário de Jose Paulo Teixeira em 20 setembro 2011 às 11:29

Caros Acauã e Carlos Silva

Tenho lido e acompanhado suas participações, inclusive fiz a leitura do relato quase imediato de Acauã sobre o encontro de Brasília. Quero muito conhecê-los pessoalmente.  Acho que não existe 'cidadão comum' e a divisão 'notáveis e anônimos' é enganadora. Também considero importante a escolha da plataforma a ser adota pelo Movimento Nova Política. Gosto da Ning porque ela funciona e permite intereção de todos e preserva as contruibuições de cada um dos seus integrantes. Estou tomado de trabalhos e tarefas inadiáveis aqui no estado e assim que puder conversarei mais com vocês. Um abração, José Paulo

Comentário de Acauã Rodrigues dos Santos em 17 setembro 2011 às 4:32
sem conversa e interação a coisa num rola...
veja lá...
Comentário de Carlos Silva em 15 setembro 2011 às 10:34
seu texto ainda que prolixo é uma boa sintese, porém no ponto que aborda a questõa de outros grupos sugeridos por  desconhecidos como eu e figuras publicas como Taks e cristovam acredito que o fato relevante é que não temos energia suficiente pra ser discipada, e é logico que qdo TAks, Cristovam ou outros de sua evergadura propõe um grupo espera-se que estejam dispostos a anima-los logo são grupos com possibilidade mais concreta de viabilidade o que nem sempre pode-se esperar de militantes anonimos embora ainda ai possamos ter grandes e agradaveis supresas.
Comentário de Acauã Rodrigues dos Santos em 14 setembro 2011 às 23:16

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Oi José Paulo

Gostei muito do seu texto, embora sinta que não tenha alcançado devidamente o sentido de algumas colocações.
Não obstante abordagens e estilos diferentes, identifiquei muitos pontos em comum com o texto que postei aqui também, "Analises da Reunião 13/09", que tb está na página do MMS.
Leste ? Se puderes, de uns pitacos lá...

Deixo uma interrogação: "Direção Invisível" é Transparente ??

Abs
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