Movimento Marina Silva

Marina Silva está dando um nó em alguns paradigmas da política e das ideologias clássicas. No programa Roda Viva da TV Cultura o jornalista Heródoto Barbeiro lhe perguntou se ela era oposição, e se não, o que era? Marina respondeu que não estava nem á direita e nem á esquerda, mas além. E se formos observar não se trata de um mero jogo de palavras e nem de se colocar superior á alguém ou á algum sistema ideológico. Todos os candidatos, de certo ponto de vista conceitual, possuem graus diferenciados de matizes da chamada esquerda. Todos trazem suas marcas herdadas das ditaduras pós 60.

Marina agrega vozes e propostas que na verdade formam parte de um salto nas relações sociais, econômicas e humanas que não couberam dentro da lógica do velho materialismo dialético. Sua postura é além. No sentido de servir como síntese e profundeza de percepção da necessidade de um novo modelo para a sociedade.

Na sabatina da Folha, o velho ideólogo e também candidato Plínio de Arruda disse que quem não está nem direita e nem á esquerda é, na sua visão, de direita. Ele deveria refletir sobre a opinião de Ferreira Gullar, o poeta, que em entrevista para a revista Veja da segunda semana de junho disse: “Marx está certo ao criticar o capitalismo do século XIX. Mas quando propõe a sociedade futura, está errado.” Ainda nesta entrevista, o poeta complementa “... o trabalhador faz a riqueza, mas se não existisse um Henry Ford... e nem todo mundo pode ser um Bill Gates...”.

No século XVI chamaram de índios as diversas civilizações com seus diversos modelos sociais e cosmovisões que habitavam esta terra chamada Brasil. Depois chamaram de “gentios”, ou seja, escravos. E assim, conforme o modelo mental das elites do poder, foram chamando tais culturas de diversos nomes. Em meados do século XX, com o advento da intelectualidade socialista na sociedade brasileira, disseram que as civilizações autóctones eram socialistas por natureza. Já o pensamento e a intelectualidade de direita quiseram passar uma régua na diversidade cultural ancestral, após os anos sessenta, chamando-as de “aculturados” e os colocando na constituição brasileira como idiotas que deveriam ser tutelados pelo estado. Na verdade, as culturas antepassadas do Brasil não são nem de direita e nem de esquerda, assim como Marina.

Nem a direita e nem a esquerda quiseram entender como as sociedades do Brasil pré-colombiano eram sustentáveis do ponto de vista ecológico, social e econômico. Não podiam compreender modelos que não se explicava seja pelo olhar da direita ou pelo olhar da esquerda. Talvez por que não fosse o momento ou a necessidade de investigar e compreender a dinâmica da sustentabilidade, dos valores sagrados que promovem o desenvolvimento pela intrínseca rede da diversidade, da democracia e da ética profunda. Marina está enraizada neste foco. E ele é imprescindível neste momento.

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Tags: Kaká, Marina, Silva, Werá, cultural, direita, diversidade, e, esquerda, modelos, Mais...sustentáveis

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