Movimento Marina Silva

MARINA, DEMOCRATA POR NATUREZA - Luiz Eduardo Soares

2010 está chegando. Menos para nós, mortais comuns, e mais para os políticos, que já respiram eleições há muito tempo. Isso é normal. Menos normal talvez tenha sido a tentativa de empurrar o eleitor para uma sinuca de bico. Empurrão grosseiro e precipitado. Sinuca de bico, porque se buscava surrupiar a liberdade de escolha e reduzir o cardápio eleitoral a duas opções para presidente: A ou B, ou nenhuma das respostas anteriores –a famosa NRA das provas de múltipla escolha. Como NRA, em eleições, é um caminho sabidamente insensato, mesmo quando adotado com espírito crítico --porque acaba presenteando o menos consciente com o poder de decidir por ele e por quem anula o voto--, ao eleitor não restaria alternativa senão decidir entre o continuísmo assumido (a candidata do PT) ou o continuísmo envergonhado (o candidato do PSDB).
Mas, eleitor, eleitora, sua angústia acabou –e a saída não é uma promoção das organizações Tabajara. Nada disso, a sinuca foi para o espaço e a jogada esperta e pouco democrática de limitar as escolhas deu com os burros n’água. É provável que a senadora Marina Silva saia do PT, entre no PV, e se candidate à presidência, em 2010, abrindo uma porta, uma janela e um horizonte inteiro de novas possibilidades.
Veja as vantagens de Marina.
O mundo começou a levar a sério –até mesmo os EUA, desde a vitória de Obama-- os temas que têm sido, ao longo de três décadas, as bandeiras políticas da senadora pelo Acre: a questão do meio-ambiente e do desenvolvimento democrático e sustentável.
Ao longo de sua vida pública, Marina vem defendendo as seguintes opiniões: o desenvolvimento nem sempre é um processo virtuoso. Pode ser prejudicial, se provocar a devastação dos recursos naturais (da água, sem a qual não vivemos, ao ar que respiramos). Hoje, sabemos que os danos ecológicos se voltam contra a humanidade, sobretudo contra os mais pobres-que são sempre os mais vulneráveis, porque têm menos capacidade de resistência a catástrofes e à deterioração da qualidade de vida. Os impactos acabam atingindo em cheio a própria economia. Hoje, sabemos como é ilusório o crescimento pelo crescimento, centrado na indústria automobilística e na transformação da vida cotidiana de todos, particularmente dos trabalhadores, em um inferno. Tornou-se evidente que os empreendimentos rurais predatórios têm vida curta e condenam à morte o futuro do Brasil –colocando em risco o planeta. Aquilo que os técnicos chamam matriz energética e que se refere às fontes de energia empregadas pela economia de um país deixou de ser tema acadêmico, porque não diz mais respeito apenas ao futuro: já afeta o presente e nos atinge a todos. Mais empregos e mais desenvolvimento, sim, claro, desde que associados a menos desigualdades e menos destruição, e mais qualidade de vida –especialmente para os que não podem compensar o stress do trabalho com férias no exterior, caros Spas, planos de saúde, massagens e psicanálise.
Além disso, Marina encarna a ética na vida pública (e privada). Não precisa falar nisso, assim como Obama não precisou falar na cor de sua pele e no significado revolucionário de seu triunfo para a democratização das relações raciais e para a afirmação dos direitos humanos. Nos EUA e no mundo. Ele era essa mensagem. Encarnava essas palavras. Seu corpo, seu nome e sua biografia proclamavam bem alto tudo isso. Acontece o mesmo com Marina. Silenciosamente, ela porta consigo a mensagem e o compromisso que marcou sua vida: os seres humanos merecem respeito. Os brasileiros merecemos. Todos os seres, a natureza. Com sua delicadeza proverbial e a prudência que a vida na floresta lhe ensinou, Marina encarna a mensagem de justiça e paz, solidariedade e trabalho, equidade e inteligência, abertura e imaginação, dignidade e confiança, simplicidade e ousadia, competência e lealdade, que emerge do fundo mais nobre de nossa América.
Ela cresceu em palafitas sobre as águas dos rios. Aprendeu a ler e escrever perto dos 18 anos. Não se entregou, nem cultivou ressentimentos. Lutou com Chico Mendes e, ao contrário de seu querido companheiro de travessia, sobreviveu às mil e uma ameaças. Chegou à universidade. Graduou-se em história. Recusou-se a fechar-se em um gueto doutrinário e dogmático de ideologias sufocantes e autoritárias. Veio do coração mais profundo da Amazônia, respirou os ares do Brasil que se democratizava e compreendeu que não haverá uma nação próspera e razoavelmente justa, pluralista e generosa, sem São Paulo e os pólos dinâmicos da produção industrial, sem as contribuições contraditórias de todas as classes, no tumulto inescapável dos conflitos e das disputas, sem a sociedade civil, o fortalecimento das instituições, o respeito aos ritos democráticos.
Marina conquistou admiração internacional, mas não tirou os pés do chão. Apoiou o percurso de Lula ao Planalto e aceitou o desafio de ser ministra do meio ambiente. E persistiu por vários anos mesmo sem ambiente no governo. A coalizão que Lula armou para garantir a governabilidade trouxe todos os segmentos econômicos e sociais para dentro do governo, neutralizando as oposições (abduzidas, cooptadas, divididas e esvaziadas), o que lhe proporcionou estabilidade e ampla liderança política –sobretudo desde que decidiu adotar a velha e desgastada plataforma do PAC como recurso de campanha permanente, em tempos não-eleitorais. Mas a amplitude das alianças que consagrou o presidente lhe impôs severos limites. Convertendo seu governo numa prodigiosa Arca de Noé, teve de fazer escolhas trágicas e foi obrigado a deixar de fora, pelo caminho, alguns valores e compromissos que lhe deram identidade, ao longo de sua carreira.
Marina saltou da Arca, pulou do caminhão-governo em movimento e juntou os trapos que restaram das velhas bandeiras. Parece disposta a costurar os retalhos de sonhos e começar de novo. No entanto, não creio que deseje repetir os erros do PT e que o transformaram em apenas mais um partido, igual aos outros. Tampouco acredito que deseje inventar a roda e jogar no lixo as conquistas de Lula e do próprio PT. Ou o patrimônio de racionalidade econômica que Lula herdou e que desqualificou como se fosse uma herança maldita. Nem continuísmo, nem desprezo pela história. Mudança com maturidade, compreensão da complexidade dos fenômenos, mas coragem para ousar; para enfrentar, enfim, uma agenda sempre desprezada: o desenvolvimento sustentável, uma reforma profunda nas regras da representação política, e a redução para valer da violência e das desigualdades no acesso à Justiça (as iniquidades começam na abordagem policial e terminam nas penitenciárias).
Vai ser muito, muito difícil vencer as eleições –mas não impossível. Assim como tampouco seria impossível que, mesmo não vencendo, a campanha de Marina fosse capaz de mudar o destino desse pleito e o futuro do Brasil. Vai depender dela, sem dúvida, mas também de você.
Se liga, eleitor. Se liga, eleitora: Marina, democrata por natureza.

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Comentário de Benedito Rangel em 24 junho 2010 às 20:46
Professor Luiz Eduardo, estando lendo o Vosso comentário, e observando as respostas feitas pelos os nossso companheiros deste movimento, busque dentro da minha simples consciência, que o mais importante será, podermos passar aos verdadeiros CIDADÃOS, a visão real dos fatos que vem nos acontecimentos, em que os sistemas das informações, da comunicações, são capaz de levar a nossa capacidade de escolha ao nivel das intenções que eles, forão contratados. Para que isso sai deste eixo será necessario que homens assim, continue a passar para a SOCIEDADE, esses comentários, dardo-nos os conhecimentos da RAZÃO, para fortalecer-mos as nossas consciências é necessario estes comentários.

Professor, sua visão é uma estrada de conhecimento, no fortalecimento da RAZÃO, que sirva de alerta, aos CIDADÃOS, que precisam deste entendimento. Passo aos amigos, que teve a sua capacidade de entendimento nas suas explacações:

AVANTE PROFESSOR, COM ESSAS MARAVILHOSA EXPLICAÇÕES ?????
Comentário de Diogo Araujo Modesto em 22 outubro 2009 às 17:09
Valeu Professor Luiz Eduardo! Sem dúvida, necessitamos com urgência de um verdadeiro governo democrático, que coloque em pauta os verdadeiros anseios da sociedade brasileira e não se comporte apenas como escravo dos interesses da classe dominante.
Comentário de Marcus v c Garcia em 2 outubro 2009 às 23:40
Dá-lhe professor Luiz Eduardo! já faz um bom tempo que acompanho seu trabalho, suas reflexões e sua atitude diante os desafios e questões axiais da sociedade brasileira. Me alenta e me dá maior confiança saber que um pensador como o senhor apóia dessa forma, atavicamente, as proposições e a figura política de Marina Silva. Vamos pra campanha cada vez mais convictos!
Comentário de Maria Luisa Nabinger em 29 setembro 2009 às 18:52
Bom texto, bom slogan. Resume nossos anseios, nossas expectativas com uma chamada direta e tão verdadeira.
Maria Luisa Nabinger - UNIRIO.
Comentário de Samuel Carvalho Duarte em 14 setembro 2009 às 20:49
Como podemos pensar num país melhor se continuamos vendo os velhos coronéis mandando no congresso nacional.
Como podemos pensar num futuro melhor para os nossos filhos se permitimos que políticos corruptos, antiéticos e imorais continuarem mandando e desmandando na vida pública nacional.
Olhemos para a vida pregressa daqueles que vamos eleger.
VEJAMOS A CARREIRA DE MARINA.
Mulher negra, duas características tão desunamente descriminadas em nosso país.
Mas a despeito de tudo a nossa MARINA deu exempre de garra, de força moral, de determinação e de vergonha em não se submeter à vontade das Dilmas e Lulas que, tanto prometeram quanto a preservação do meio ambiente e da amazonia e viraram as costas para a Ministra. Ela, criteriosamente, com a moral que sempre caracterizou sua vida pública não se abalou. Saiu do ministério e do PT mas sem atirar. Sem culpar nibnguém. Simplesmente saiu por uma questão de principio. Ponto que tão poucos respeitam.
LUTEMOS POR UMA PAÍS MELHOR E UM PLANETA MAIS PRESERVADO, ELEGENDO UMA MULHER LUTADORA, UM ÍCONE NA LUTA PELA PRESERVAÇÃO DA NATUREZA.
VAMOS EM FRENTE,
MARINA PRESIDENTE.
Comentário de Josadac Bezerra dos Santos em 23 agosto 2009 às 7:42
O professor Luiz Edurado Soares, todos sabemos, é uma referência tanto para a sociedade civil como para academia. E seu depoimento neste texto reflete o que de melhor se pode dizer da nossa querida Marina Silva. É um texto que inspira a própria campanha e nos enche de vontade de trabalhar. Precisa ser destacado com mais evidência pelo site, devido a sua importância.
Comentário de Paulo Maia em 22 agosto 2009 às 15:33
Parabéns pelo belo texto, nos ajuda e muito para balizarmos melhor as nossas próprias escolhas, dentre elas, a de ter Marina Silva como candidata em 2010!
Comentário de Francisco Lima em 20 agosto 2009 às 13:29
Grande Luiz Eduardo! Muito bom o texto. Da fato, a candidatura Marina vem oxigenar a política brasileira, de cara joga para escanteio essa idéia de Lula de uma eleição plebiscitária, de forma que o povo julgue quem foi melhor, ele ou FHC. Pobre presidente, precisa urgentemente de um psicanalista.
Comentário de Carlos Novaes em 19 agosto 2009 às 23:02
Gostei muito do texto. Além do conteúdo, digamos assim, duro, a veia literária e o humor são parte constitutivas de uma maneira ventilada de ver a política. Vamos em frente, porque o trem voltou a apitar e a rolar nos trilhos, que estão dispostos em rede.
Comentário de Henyo Trindade Barretto Filho em 19 agosto 2009 às 12:34
Perfeito, Dado. Sem reparos. Um texto iluminado pelo híbrido de razão e afeto que dá forma à convicção que empurrará essa campanha adiante. Parabéns!

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