MARINEIROS COM DILMA
Estivemos com Marina Silva no primeiro turno, porque buscamos uma alter-nativa política para o Brasil capaz de afirmar uma conduta pública marcada pela ética na política, em favor de uma política econômica que supere definitivamente a miséria e a concentração de renda e que redirecione o próprio modelo social com base na sustentabilidade. Nos orgulhamos de uma campanha que ofereceu uma contribuição efetiva ao País e que, mesmo com um tempo mínimo de propa-ganda eleitoral no rádio e na TV, conseguiu enfrentar as máquinas eleitorais mon-tadas com o apoio do Estado, dos partidos tradicionais e do grande capital.
A votação recebida por Marina Silva expressa, basicamente, um claro sinal de que parcelas expressivas da população não toleram mais o jogo de cena, as alianças sem programa, os acordos que visam apenas a repartição do poder, a corrupção endêmica que abala as instituições, o oportunismo eleitoral e a dema-gogia que amesquinham a própria política. Os quase 20 milhões de votos que alcançamos sinalizam, ainda, que o Brasil precisa de uma agenda socioambiental séria e que este tema, antes circunscrito a pequenos grupos de ativistas ambien-tais e à intelectualidade, já possui apelo popular entre nós.
Por conta de tudo aquilo que a candidatura de Marina Silva representou, vi-vemos a generosa experiência da militância de centenas de milhares de apoiado-res em uma campanha que nos ofereceu de volta o espaço da paixão pelas idei-as, ao invés da promessa de cargos ou de qualquer expectativa de benefício pes-soal. Talvez por conta disso, enfrentamos o sectarismo de muitos que se julgam o
“sal da terra” e mesmo Marina – que jamais agrediu ou desrespeitou seus adver-sários – foi tratada primeiro com desprezo, depois com a costumeira intolerância que acompanha a trajetória da antiga esquerda como uma sombra.
No próximo dia 31, entretanto, esta antiga esquerda se defronta nas urnas com a direita de sempre. Melhor seria para o Brasil que ambas as posições tives-sem avançado em seus pressupostos e firmado compromissos mais nítidos em torno de programas de governo. Como se sabe, este não foi o resultado do pro-cesso eleitoral. Pelo contrário, somos testemunhas de uma radicalização da dis-puta, marcada por acusações, boatos e calúnias. A candidatura de José Serra, neste particular, tem se mostrado insuperável e é repugnante que tenha trans-formado o preconceito em seu principal aliado.
Ao mesmo tempo, é preciso afirmar um caminho que aponte para um futuro de mais inclusão social e de maior sensibilidade com a realidade dos milhões de brasileiros que seguem à margem da própria cidadania. Entendemos que um e-ventual governo da coligação PSDB-DEM afastaria o Brasil destes grandes desa-fios, privilegiando os compromissos do “Estado Mínimo” e o discurso repressivo do tipo “Lei e Ordem”. Por isso, a opção representada por Dilma nos parece a mais adequada para impedir um retrocesso histórico cuja conta será paga pelos mais pobres. No mais, a resposta oferecida por Dilma ao documento enviado por Marina às duas candidaturas que disputam o segundo turno foi a que mais se aproximou das nossas propostas, o que nutre a expectativa de que Dilma poderá incorporar em seu governo vários dos compromissos da agenda socioambiental que defendemos.
Com base nesta avaliação, conclamamos todos os que apoiaram Marina a uma participação ativa nesta reta final da campanha em favor da candidata Dilma Rousseff.
Luciano Zica, Ex-Deputado Federal por São Paulo
Marcos Rolim, Ex-Deputado Federal pelo Rio Grande do Sul
Pedro Ivo Batista, Coordenador da Rede Brasileira de Ecossocialistas
Guto Gomes, Membro do Fórum de ONGs de Ambientalistas do Distrito Federal
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