Movimento Marina Silva

De Copenhague à Grande Onda Verde em 2010 no Brasil

de André Lima – PV/DF (alima1271@gmail.com), em 19 de dezembro de 2009.

Chefes de 120 nações se encontraram durante dois longos dias nessa derradeira semana pré-natalina em Copenhague para discutir e decidir o nosso destino comum. Todavia, os esforços principalmente das grandes economias (desenvolvidas e em desenvolvimento) para mitigar os efeitos da “grande onda verde” na economia superaram o esperado e necessário esforço global de adaptação e adesão a ela.

China e EUA protagonizaram o embate mais crítico deste início de século XXI. Desestabilizados política e economicamente, os EUA não escondem a indisposição para fazer, no curto prazo, a necessária inflexão em direção à economia de baixo carbono, ainda que isso possa significar algumas centenas de milhões de mortes de seres humanos na África ou o desaparecimento de ilhas oceânicas como Tuvalu (onde fica mesmo?). A meta anunciada pelos EUA é pífia (3-4% de redução de emissões até 2020, em relação a 1990). Até mesmo esse flácido número corre algum risco de não ser aceito pelo conservador Senado Norte-americano. O valor oferecido pelo poderoso Nobel da Paz Obama para investimento financeiro nos países mais necessitados (US$3 bi) corresponde a menos de 15% do valor oferecido por Japão e Comunidade Européia (US$22 bi).

China, a grande potência em desenvolvimento, já deixou claro que não vai tirar o pé do acelerador. Embora já seja hoje o país número um em emissões, China argumenta a seu favor que o país precisa crescer e que sua emissão per capita é algumas vezes inferior à dos EUA, no mínimo quatro vezes. Se cumprir a meta “voluntária” proposta, em 2020 a China será responsável por uma emissão da ordem de 14 Gt CO2, superior a 60% do volume de emissão média anual considerado pelo IPCC como teto para todo século XXI (18 Gt CO2e). Se no total poderemos emitir até no máximo 1.800 Gt CO2 neste século para evitar que o caos se instale (caso a temperatura média aumente em mais de 2 °C), isso significa uma média de 18GtCO2 ano. O grave é que nos primeiros 20 anos deste século já teremos emitido algo próximo de 800 Gt CO2 de emissão, ou seja, quase 50% do orçamento de carbono para o século.

O fato é que apesar da suposta “Onda Verde” que banha o Planeta, sobraram bravatas em Copenhague, a batata quente saltou de mão em mão, e o resultado é o compromisso zero com metas vinculantes e ousadas de curto prazo, nada de metas de longo prazo, Protocolo de Quioto sai da UTI para o velório e o compromisso financeiro dos países ricos para medidas de adaptação e mitigação em países em desenvolvimento resumiu-se a um valor muito baixo para a necessidade e somente para o curto prazo. Lembrei-me de um Hay-kay de Leminsky que diz o seguinte “Tudo dito, nada feito, fito e deito”.

Bom, e daí? E o que o PV-DF tem a ver com isso? Acontece que é notório que estamos vivendo a “Grande Onda Verde” no Brasil e que isso tem a ver, dentre outros fatores, com o efeito Marina Silva fora do PT ou dentro do PV. Porém, toda onda, ainda que Maiúscula, quebra e morre na praia. Se a onda pré-Copenhague era gigantesca e vinha sendo anunciada há dois anos e deu no que deu...não vamos nos iludir, nem só de discurso vive a humanidade.

O socioambientalismo chega para ficar. É a junção do ótimo com o bom, sim, mas não tem frase de efeito nem atalho que resolva. Temos que dizer e rápido como o DF e o Brasil vão fazer sua parte para cumprir e ir além dos compromissos que o Lula anunciou em Copenhague. Temos que estudar e inventariar as principais fontes emissoras de CO2 do DF e propor soluções. Temos que rever os modelos de construção carbono-intensivos levados a efeito na Esplanada. Porque não um programa minha vida, minha casa “sustentável”? Temos que rever o Plano Diretor de Ordenamento Territorial fruto do escambo de Panetones feito em assembléia de picaretas. Temos que criar empregos verdes. Como ? Enfim, temos que dizer como a nossa Capital vai se tornar o modelo de cidade e cidadania socioambiental para o Brasil.

Saudações Socioambientalistas, Feliz Natal e que 2010 seja um ano de muito trabalho para todos nós do PV-DF.

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