Folha de S.Paulo
JOÃO CARLOS MAGALHÃES 09/10/2010
DE BELÉM
Em conflito com Ana Júlia Carepa (PT), governadora do Pará e candidata à
reeleição, o superintendente do Ibama em Belém, Paulo Diniz, foi
informado ontem de que será exonerado do cargo.
Desde o início do ano, Ana Júlia --que disputa o segundo turno com o
tucano Simão Jatene (PSDB)-- vinha pressionando Diniz a frear as
fiscalizações ambientais no Estado, recordista em desmatamento ilegal na
Amazônia.
O objetivo da petista era impedir, em ano eleitoral, desgaste com o
setor madeireiro e com as pessoas atingidas pelas fiscalizações,
conforme revelou a Folha em junho deste ano, com base em relatos de analistas ambientais do órgão federal.
A exoneração deve ser publicada no "Diário Oficial" na segunda-feira.
Além de Diniz, deve cair também o chefe da fiscalização do órgão em
Belém, Paulo Maués.
No final da tarde de ontem, a reportagem ligou para a assessoria do
Ibama em Brasília, que não confirmou oficialmente as exonerações.
Servidores do órgão afirmam que Ana Júlia e seu secretário estadual do
Meio Ambiente, Aníbal Picanço, que ocupara o cargo no Ibama antes de
Diniz, mandaram ofícios e se reuniram com a cúpula do órgão em Brasília
para reclamar das operações de fiscalização.
Já segundo o governo do Pará, ambos agiam para coibir o suposto autoritarismo e a truculência do Ibama.
Conforme as eleições se aproximaram, o desgaste e a pressão aumentaram.
Desde julho, policiais militares, que respondem ao governo do Estado,
deixaram de acompanhar os fiscais ambientais federais nas operações, sem
que fosse dada uma justificativa para isso.
Outros pontos críticos, dizem os servidores, foram as ações na região
das cidades de Anapu e Pacajá, próximas à rodovia Transamazônica, onde
há grande retirada ilegal de madeira.
Ontem, a reportagem deixou recado na assessoria do governo estadual, que
até a conclusão desta edição não ligou de volta. Antes, ela já havia
dito que Ana Júlia não protege nenhum madeireiro e apoia as
fiscalizações.
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