Eu, como um leitor de longa data da Carta Capital e grande admirador da excelência de seu jornalismo, quero dizer que estou decepcionado.
Creio ser minha obrigação compartilhar esta decepção com vocês, já que é tão importante, hoje em dia, o feedback dos clientes. Faço minha parte, deixando aqui minha opinião.
Estou decepcionado com a edição da Carta Capital de 7 de julho, na qual se expõe os motivos pelos quais a revista defende a candidatura da Dilma e da continuidade do governo Lula.
Estou decepcionado, não com a posição, mas com a fraqueza da argumentação, com o raso nível que foi preciso descer para que a justificativa fosse dada.
Estou decepcionado pois se há qualidade no jornalismo, ali estaria ela. Na incrível escrita do Mino Carta, na clareza de suas ideias, na consistência de seus textos, na perfeita escolha das palavras.
Estou decepcionado, pois desta vez não era aquele Mino escrevendo e sim um jornalista qualquer, que escreve para um jornal qualquer, com quaisquer ideias e quaisquer argumentos.
Estou decepcionado pois sempre tive grande crescimento intelectual com as leituras da Carta Capital, mas percebo que a locomotiva parou, ou como se diz por aí, a revista “está perdendo o bonde da história”. Talvez esteja presa no congestionamento.
Há uma grande trajetória do Partido dos Trabalhadores e da sociedade civil para chegarmos onde hoje nos encontramos. Artistas e intelectuais, de mãos dadas a trabalhadores, por muito tempo tentaram construir um ideal de país. Construíram uma trajetória de poder e foram bem sucedidos. E aqui estamos, para onde vamos?
Creio que o eixo principal de nossas ideias e ideais para o país sejam semelhantes, no sonho de um Brasil mais justo e mais igual. As divergências podem estar nos caminhos. Não li o livro de Capra, O Ponto de Mutação, mas assisti o filme e penso que seria de extrema importância que todos pudessem vê-lo e pensá-lo. A visão de mundo que se apresenta quebra paradigmas e propõe um jeito novo de fazer as coisas. Não podemos mais ser dirigidos por pessoas que não tem esta visão, esta consciência. E entre os candidatos só há uma que tem. E sabemos que não é a Dilma.
Trata-se de uma consciência global, de que o mundo é interconectado, que tudo está relacionado, que o tufão é causado pelo bater de asas da borboleta. Que, talvez, a melhor forma de se resolver o problema da desigualdade esteja na construção do metrô. E que, talvez, a melhor solução para o transporte público seja uma reforma agrária de qualidade e, talvez, a solução para a violência não esteja nos temas da segurança, da educação ou da distribuição de renda, mas na cultura ou até na
construção de hospitais. Sabe-se lá...
Exagero nos exemplos para que se compreenda a necessidade de alguém que tenha uma visão diferenciada, uma visão que coloca a sociedade como participante do processo de decisões e não cria uma máquina estatal cada vez mais inchada, cada vez mais cara, cada vez mais carregada até que pare de andar. Precisamos de alguém que pense o “público” no lugar do “estatal”.
Fiquei muito decepcionado com o texto de apoio a Dilma, não por sua decisão, mas pela irrelevância que se dá a esses temas. O texto justifica as falhas de Serra – e mesmo estas vão para um
caminho da degradação desnecessária, ao estilo Reinaldo Azevedo e Cia – mas não toca no nome da Marina Silva. A revista diz, com orgulho, que Lula conseguiu deixar a eleição plebiscitária. Penso ser grave erro da Carta Capital ignorar os 10% da população (se é que acreditamos em pesquisas, pois me lembro que em outros tempos estas mesmas pesquisas eram difamadas e desconsideradas), que
apóiam a Marina. Pois grande parte dos leitores da Carta Capital são intelectuais, artistas, pessoas qualificadas e, nestes setores, a Marina é uma grande líder.
Peço então apenas isso, que se preste atenção na Marina, que não se desconsidere esta candidatura e, em especial, o que ela representa.
Mas sou mais um.
Victor Fisch
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Comentário de anamaria valiengo lowenthal em 17 julho 2010 às 1:47
Comentário de Lucas Coelho Brandão em 16 julho 2010 às 12:27 Bem-vindo a
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