Movimento Marina Silva

Saúde e meio ambiente

Marina Silva
De Brasília (DF)


Marina Silva: Estudos culpam poluição por 24% das doenças

Começou nesta quarta-feira e vai até sábado, em Brasília, a 1ª Conferência Nacional de Saúde Ambiental (CNSA). O momento não poderia ser mais propício. Na segunda-feira, o governo americano anunciou na Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 15), em Copenhague, na Dinamarca, que a Agência Ambiental Americana (EPA) classificou os gases do efeito-estufa como gases nocivos à saúde humana.

A decisão é importantíssima, em primeiro lugar porque dá ao governo Obama o reforço necessário para recuperar o atraso nas medidas indispensáveis para reduzir as emissões americanas de gases poluentes. Mas seu impacto ultrapassa a política interna dos Estados Unidos. Ao reconhecer que o padrão de emissões é uma grave questão de saúde pública, além de ser uma questão ambiental global, o país pressiona positivamente os demais a aprofundar o debate.

Nesses dias em que o mundo aguarda com expectativa o que ficará definido após a COP 15, iniciativas desse tipo colaboram para que as negociações andem, na medida em que dão suporte à integração de informação e ação entre governos e sociedade. No caso, é o impulso que faltava para dar o devido peso à interação entre saúde e meio ambiente - ou falta de saúde e degradação ambiental - nas discussões nacionais e internacionais.

Há muito tempo estudos vêm indicando a relação direta entre problemas ambientais e de saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 24% das doenças e 23% das mortes prematuras são fruto de problemas ambientais. E há muito se reconhece o impacto na saúde pública das chamadas doenças de veiculação hídrica, decorrentes da poluição dos cursos d'água, sobretudo pela falta de saneamento básico e mau uso do solo.

É por isso que a CNSA é tão importante. As políticas públicas devem ser construídas de forma coletiva e dirigidas a uma nova realidade socioambiental. O tema deste encontro é "A saúde ambiental na cidade, no campo e na floresta: construindo cidadania, qualidade de vida e territórios sustentáveis". São esperados 959 delegados eleitos nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal (DF).

Trata-se de uma conseqüência do que vem sendo feito pelos Conselhos Nacionais de Saúde, Cidades e Meio Ambiente e respaldado também em suas respectivas conferências nacionais, para dar seqüência à formulação de diretrizes que deverão orientar a política de saúde e ambiente do governo de uma maneira geral.

A temática geral foi estruturada por meio de três eixos. O primeiro, classificado como "Desenvolvimento e sustentabilidade socioambiental no campo, na cidade e na floresta", com o objetivo de desenhar um pouco a realidade desses territórios. O segundo "Trabalho, ambiente e saúde: desafios dos processos de produção e consumo nos territórios" para avaliar o impacto dos processos produtivos o meio ambiente e a saúde humana. E o último, denominado "Democracia, educação, saúde e ambiente: políticas para a construção de territórios sustentáveis", vai induzir a formulação de propostas para o enfrentamento desses problemas.

Para saber mais sobre o que está sendo discutido na Conferência, consulte o site do evento (www.saude.gov.br/svs/cnsa) e leia o Caderno de Textos, elaborado para ajudar os delegados a discutir, a pensar e a observar as experiências positivas pelo país, disponível na Biblioteca Multimídia da Escola Nacional de Saúde Pública (www.ensp.fiocruz.br).


Marina Silva é professora de ensino médio, senadora (PV-AC) e ex-ministra do Meio Ambiente.

Fale com Marina Silva: marina.silva08@terra.com.br

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Maria Salete dos Santos Nogueira Comentário de Maria Salete dos Santos Nogueira em 5 janeiro 2010 às 14:03
Muito bom o artigo de Marina sobre Saúde e meio ambiente e de fácil compreensão.
Salete Santos
Ed Ary da Rocha Comentário de Ed Ary da Rocha em 14 dezembro 2009 às 22:24
No ambiente escolar, a formação deve enfocar atividades nas áreas de saúde individual e coletiva. Nossas crianças devem ser preparadas para manter a saúde do nosso planeta.
Auridenes Matos Comentário de Auridenes Matos em 14 dezembro 2009 às 10:49
E a educação ambiental transversal nas Universidades Públicas e Particulares? Vc deve cobrar a aplicação da Lei Federal nº 9.795/99, pois lá tá assegurado que a EA deve ser inserida em todas os níveis e modalidades de ensino! Nas escolas da rede municipal e estadual tem que ter tb a EA nas salas de aula.
Auridenes Matos Comentário de Auridenes Matos em 14 dezembro 2009 às 10:45
Cobrem de seus Vereadores, Deputados Estaduais, Federais, Senadores, Governos Municipais, Estaduais e o Federal para eles implementem Políticas Públicas Sustentáveis para o bem comum da população em geral! Cobrem e ACOMPANHEM! Não adiante só votar, precisamos urgentemente cobrar e acompanhar os desdobramentos de políticas públicas ambientais municipais, estaduais e federais!!
Auridenes Matos Comentário de Auridenes Matos em 14 dezembro 2009 às 10:42
Mas precisamos urgentemente olhar mais para os nossos políticos, como eles estão atuando nessa área. Fiquemos mais atentos!!
Auridenes Matos Comentário de Auridenes Matos em 14 dezembro 2009 às 10:39
Que outro tema é mais transversal do que o meio ambiente? Que outra área é mais estratégica que o Meio Ambiente?! O meio ambiente é o link de tudo. É nele que tá a chave para o FUTURO!! Abrç!
Rita Monteiro Comentário de Rita Monteiro em 13 dezembro 2009 às 23:47
Eu continuo insistindo para uma atenção especial para a água.... ainda não está provado.. mas acredito seriamente que o aumento da incidência de cancer está relacionada com a qualidade da água consumida...
P... da  $ILV@ Comentário de P... da $ILV@ em 13 dezembro 2009 às 17:22
A nossa preocupaçao ambiental, está relacionada com a vida, toda as decisão, têm suas conseqüências globais
Dennis de Lima Amaral Comentário de Dennis de Lima Amaral em 12 dezembro 2009 às 21:10
É muito importante que o Brasil desperte para o seu papel como país líder na preservação do Meio-Ambiente. Uma conferência que tenha como objetivo conscientizar os responsáveis por nossas políticas públicas, é essencial para que caminhemos nesse sentido. No entanto, se essas informações e know-how não chegarem ao prefeitos, que são os responsáveis pela manutenção do bem estar socio ambiental, futuras medidas federais ou estaduais terão seus impactos muito reduzido. É fundamental que se crie se tenha mais transparência na gestão pública, pois assim eliminaremos os maus administradores públicos que pouco se preocupam em se atualizarem e em cuidar de sua cidade. Com menos corrupção também teremos mais recursos para serem investidos onde se é necessário, além de políticos mais conscientes e ativos. Quem sabe assim não consigamos transformar alguns vícios que muitos tem, como jogar lixo no chão ou nos rios, e entulho em terrenos baldios e áreas públicas. Políticas públicas que incentivem o planejamento familiar também são fundamentais para que tenhamos um futuro mais brilhante, sem ofuscar nossas belezas naturais para tanto.
Parabéns pelo artigo Excelentíssima Senadora Marina Silva, a sua luta por uma economia sustentável tem muitos adeptos e esse universo com certeza só faz crescer, tendo em vista os dados irrefutáveis e sua liderança inspiradora.
marcos antonino nunes Comentário de marcos antonino nunes em 12 dezembro 2009 às 13:32
Estou com um manifesto bio-diversidade cerrado humanidade e amazônia, estou coletando assinatura, a primeira foi do ministro Carlos Minc, estou expondo minhas poesias, em línguagem poética meio ambiente.Fico feliz pela iniciativa , a qual você conhece , assim é que se doa o amor pela a natureza, colocando nas palavras a sua tão forte personalidade e caráter, pelo meio ambiente...valeu!!!

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