Sem Terra
Sem terra é a terra que piso.
Marcho no mesmo compasso.
Que importa se estou descalço.
Caminho com a mesma fé.
Desta terra que queima o pé.
Não quero toda, só um pedaço.
Pedaço do meu trabalho.
Certeza do meu sustento.
O grito que sai é um lamento.
Murmúrio, pedido de amor.
Da alma de lavrador.
Sem terra sou sofrimento.
Na terra por onde passo.
Alimento um sonho antigo.
Receber do irmão amigo.
Um bocado desta terra.
Sem travar luta ou guerra.
Do maior bem que trago comigo.
Não posso me igualar.
Com a violência ou ganância.
Confrontar com ignorância.
Na mão a foice é trabalho
O pé que pisa não é galho
É meu esteio, raiz, confiança.
Se um pedaçinho eu tiver
Desta terra da fartura
Arranco a amargura
Com mais trabalho e louvor
Exterminando o terror
Da fome, maior tortura...
Separar a terra do lodo
Tarefa que trás cansaço
Se a mangas não regaço
Bons frutos não colherei
De tudo que plantarei
De sobra nem mesmo o bagaço.
Mas se o homem de leitura
Bater no peito, clareia.
Notará que em minha veia
Corre o sangue desta terra
Até o orvalho da serra
Perde-se o fio da teia.
Não quero prioridade
Também não peço o impossível
Que tudo seja plausível
Num diálogo muito franco
Onde o rico e o pobre em pranto
Possam quebrar o invencível
Esta terra que almejo
Tem muito pra me oferecer
Na busca do que comer
Só nesta terra eu encontro
Ela é meu próprio tronco
É meu diploma, meu saber.
Sem terra, na terra que piso.
Fica aqui o meu protesto
A Justiça, ao Congresso.
Não me ignore tem solução
Entrega-me este chão
Isto é cultura, isto é progresso!
Maria Dirce da Silva.
Planaltina/GO. Agosto de 1995.
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MINHA ALMA TEM CHEIRO DE CAFÉ
E É COLORIDA COMO AS GARRAFAS PET!!!
Maria, seja bem vinda e " CHAME + GENTE"....
Grato.
Jarbas Soares