V REINADO
Falando de tempo e do lugar: a arte de andar por uma estranha nave no meio da Taba.
O pessimismo, bem como o ócio é um luxo dos privilegiados. Um narcótico jamais visto fora das salas dos poucos que podem se permitir o fausto de sua prática. Assim, falarei do tempo e do lugar para os que tem um parafuso a mais. Aqueles que são discípulos do V Reinado. Aos conselheiros desta civilização sonhada por Dom Bosco, Queiro dizer: o Raul Seixas foi o engenheiro da alma dos angustiados que aprenderam que resistir é o primeiro passo.
“Ela é azul, a terra é azul..., a idéia que tenho é que estou desembarcando num planeta diferente, que não a terra” Iuri Gagarim, Agosto de 1961. “Entre os paralelos de 15 e 20º, no lugar se formará um lago, nascerá uma grande civilização, e isso acontecerá na III geração. Aqui será a terra prometida”, Dom Bosco 1883.
“Desde Planalto central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país, e antevejo esta alvorada com uma fé inquebrantável e uma confiança sem limites. JK, 1956.
“Habitar uma profecia não é muito simples. Viver sob uma bolha artificial com um Plano e um Piloto dando as coordenadas pode parecer asfixiante. Ter a marca de um cartão postal para moldurar política, como se os habitantes fossem extras em um comercial dos três poderes, pode sugerir um TÉDIO monumental. O próprio EXU MONUMENTAL.
Porém não é bem assim. Ou é assim, se assim se quiser. Brasília nasceu do gesto primário de quem toma posse. De quem decide assumir uma ousadia. Desse sinal de cruz ela dramatiza a própria encruzilhada nacional: brasa entre os Brasis.
Descentralizar para o centro como admirável contradição entre tantas. A cidade fascina e apavora. Obriga ao abandono de casas. Perdemos contornos, muros, quintais, fachadas, para um céu estupefantemente luminoso a nas transportar de horizontes. Nela, o altomar tem poeira e chão. Retinas feridas por tantas retas e planas. Nela, lábios racham para melhor saborear o baton de cacau. O controle fica cada vez mais remoto. O mar saudoso, a montanha imaginária, a floresta uma lembrança.
Em Bsb, a chapa branca é ostensiva, porém, a chave branda, para escapar do espaço oficial, é fazer com que a cidade se torne, aos poucos, obra dos seus autores anônimos, como é alias nas demais cidades brasileiras. Restituir a cada dia a cidadania, e construir o cidadão é o verdadeiro projeto em construção. Os peões e os verdadeiros cidadãos iniciaram-se numa tarefa de soprar vida nas narinas de barro dessa criatura.
Penetrar na identidade que envolve e comove por tantas regionalidades aqui reunidas. Das entranhas sertanejas nascem o broto de acrílico e aço. Estranha nave que pousou no meio da Taba, do gado e do mistério. Algo que se implanta sem raiz, mas fruto. Velada e clara. Oculta são todas as aparências, uma cidade com sintonia fina, elites satélites, alarmes discretos. Satélites, elites sitiadas em minutos, a natureza tão presente. Hospedeira de silêncio de distâncias. Autoemotiva. Engarrafamentos a 80Km/h. As vezes flutua, as vezes pesa, outras afunda, muitas navega. Mas a cidade segue; ou clarão que sega ou lume que se entrega, se revela, resvala. Tem vias, veios, véus. Adora apagar rastros para voar astros.
BSB É a cidade estilo onde não se importa o que faz mas como fez. Nela os níveis passeiam. Alta rotatividade. Passageiros do poder. Caronas, pedintes, clandestinos ou não. Não se pode perceber a cidade num relance. Absorve-la lentamente como no amor. Sorve-la ou cuspi-la em sua cruel capacidade de ser fraterna e discriminadora. E aí entender que nada é diferente, nem tampouco igual a qualquer lugar ou outra cidade. Apenas aqui, há um esquema mais claro de maquete vertebral na pele quente de uma cidade, tatuagem de asfalto no cerrado, seiva generosa dos que não só pisam, mais deitam e rolam na grama. Os que se atrevem às trevas.“ TeTê Catalão.
“o ar religioso que senti desde o primeiro instante, e que neguei. Esta cidade foi concebida pela prece. Dois homens beatizados pela solidão me criaram aqui de pé, inquieta e sozinha, a este vento.” Clarise Lispectro. Lucio Costa “ o céu é o mar de BSB”.
Raul, o nosso poeta trágico, foi o porta voz do mundo trágico de Honestinos. A referencia a qualquer projeto revolucionário ou místico, que tenha a pretensão de alterar a estrutura do Brasil. Raul foi o tradutor da visão trágica de mundo, do povo brasileiro, traduziu a angustia do Homem inquieto que vê o morro vim abaixo e matar o povo no Rio de Janeiro, neste abril de 2010.
Sua poesia refletindo a visão trágica de mundo e do Brasil em particular, deste Brasil no qual eu não gostaria de estar com os que venceram, pois como Raul lutei muitas batalha, e perdi, mais não gostaria de estar na companhia dos que venceram, meus inimigos estão no poder, meus heróis morreram de overdose.
A ideologia do Raul de uma SA, o torna o porta voz do futuro sonhado por aqueles que não aceitam a realidade como ela se apresenta. Afinal é necessário despertar a mente e acordar o coração, que a história não espera o fim do cansaço. É preciso cansar o silêncio inquietante e pisar a arena, mesmo descalço, como fez Antonio Conselheiro. Pois, o exercito dos vencidos vence em cada passo que consegue dar em frente.
É preciso que a palavra seja nossa ancora e os arados arem os campos e unidos virem-se contra as Vales e seus amargos sabores de Ferro. Que depois de tudo, o ar não seja mais barreira e os campos deixem de ser distancia, para virarem-se contra os desencontros. Mesmo que ainda haja muito a ser feito, e será feito, não com a lentidão dos incrédulos ou com a pressa dos impotentes. E por mais que se faça quase nada foi feito peão. Então chegou a hora de acordar teu coração, esperando coisas impossíveis de alcançar.
E não se espere mais do que aquilo que é impossível de alcançar. Com essa tortura sangrenta. Ao ver o homem da Amazônia sentir o peso deste rochedo de toneladas de ferro, bauxita, ouro ou outro recurso qualquer que só servem para esmagar o cablôco amazonida, judas asvero, mestiço da índia com o nordestino soldado da borracha, ou da cabloca de hoje com o sem terra do sertão.
Epístola do “Castro Alves” em mixórdia de plagio.
http://br.groups.yahoo.com/group/noosfera_II/
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RELATO DE UMA REUNIÃO
Carlos Novaes, 15/04/2011
Passaram-se quase trinta dias da realização da reunião presencial do Site-Movimento Marina Silva em SP (19 e 20 de março de 2011). Conclui que já esperei o bastante e considero um desrespeito tanto tempo sem dar satisfações aos demais.
Veja na minha página o relato completo.
abraço
Novaes
Carlos,
diante do silêncio dos auto-intitulados coordenadores do site-Movimento aos meus questionamentos, apresentei ao Ministério Público Federal um documento que está aqui na minha página, acompanhado de dois textos que publiquei neste espaço sobre o tema.
Vamos ver se essa iniciativa me trará alguma resposta. Continuarei tentando.
Um abraço,
Novaes
Carlos Silva,
enfim, temos uma conversa mais ampla, como você pode ver pelas outras excelentes participações. Digo excelentes porque, independentemente da direção do conteúdo, apresentam argumentos, assim como eu. É o que vale. Vou buscar tempo para responder a cada um deles, pois me sinto honrado em ter provocado o uso do tempo deles, que não é menos precioso do que o meu.
Não, Carlos Silva, não sou - e nunca fui - um polemista. Polemista é quem não tem argumentos fundantes e se conduz ao sabor dos ventos da controvérsia. Meus argumentos vem de longe e são o lastro de uma "política nova", que esses 10 comprometeram. Quem acha tudo o que se passou normal, das duas, uma: ou é ingênuo ou esperto. Vou voltar a argumentar nas respostas aos outros.
Para você acrescento apenas o seguinte: de que "audiência" você está falando? A desse site-Movimento, que infelizmente não reuniu nem 50 mil internautas, muito embora com o peso de uma liderança como Marina, que teve quase 20 milhões de votos!? Sendo que desses, uma ínfima parte participa de quaisquer debates...
Não, Carlos. Minha "audiência" é em outros fóruns, nos quais estou não por ela, mas porque julgam relevante saber o que penso. Se insisto, nessa altura, nesse site-Movimento é porque me dei conta do significado da embrulhada. Leia com atenção o tal "comunicado" e os relatos que aludem à questão da grana. Cada palavra aparece escolhida: primeiro para não dizer e, depois, para diluir, buscando uma legitimação tardia, por vias indiretas.
Carlos Novaes