Qual o Brasil que queremos?
1. Brasil com Economia sustentável
Como?
Utilizando estrategicamente os recursos naturais
O que deve ser levado em conta quando utilizamos um recurso natural? Se entendermos que recursos naturais são meios para o sustento de organismos, ecossistemas e comunidades, não será possível pensar na utilização de recursos sem considerar todos os componentes e correlações envolvidas na ação. No entanto, em muitas ocasiões, apenas os interesses e benefícios diretos entram no cálculo.
Pensar apenas no presente, desconsiderando as gerações futuras. Agir com base na atividade fim, sem levar em conta outros usos possíveis. E realizar atividades com olho nos impactos diretos, mas sem observar as múltiplas consequencias. Estas são formas de ação nada estratégicas, quando falamos em gestão de recursos naturais.
A estratégia nesse caso vem quando a complexidade é enfrentada. Daí a simplicidade poderá surgir do outro lado da complexidade. Isso acontecerá caso as múltiplas relações estabelecidas entre os diferentes componentes da situação sejam incluídas na reflexão prévia ao uso e refletidas na hora da utilização de determinado recurso. Uma fonte de água, por exemplo, pode ter valor inestimável para o ecossistema que se formou em sua proximidade. Desta forma, seria estratégico apenas pagar pelo serviço ambiental e explorar o recurso deixando de lado os impactos?
O uso de recursos finitos com crença na infinitude parece estar levando a humanidade ao colapso, mas não adianta apenas alardear. O uso de instrumentos de gestão ambiental já existentes como o Zoneamento Ecológico Econômico ou o Plano de Gestão de Bacia Hidrográfica, podem efetivar a gestão estratégica de recursos naturais, considerando aspectos sociambientais para além da racionalidade econômica.
Nesse sentido, Marina enfatiza que: “O Brasil tem uma das maiores reservas de recursos minerais, petróleo e gás no planeta. Porém, esses recursos são por natureza finitos e, portanto, devem ser geridos de forma estratégica para garantir o abastecimento ao mesmo tempo que prepara o futuro independente destes.”
Um elemento dessa afirmação é o uso estratégico indicando uma necessidade de buscar independência do uso de certos recursos, em especial os não renováveis. Assim, para além da necessária gestão que pensa o uso conectado com outras finalidades da existência dos recursos, será uma ação inteligente não depender de tal meio de sustento. Desta forma, será prudente, por exemplo, encontrar alternativas ao petróleo como fonte de energia. Isso poderá trazer sustentabilidade à economia, se esta não estiver apenas concentrada em maximizar interesses diretos.