Movimento Marina Silva

Qual o Brasil que queremos?


1.       Brasil com Economia sustentável


Como?


Remodelando a matriz energética



Se preferir, escute aqui o conteúdo deste texto.

A energia, na física, é capacidade para realizar trabalho, um requisito para se produzir uma atividade. Em seres vivos, a energia é proveniente de alimentos e pelo metabolismo transforma-se para ser utilizada no trabalho biológico. No organismo social, a execução de diferentes atividades também exige uso energético. Cabe ao organismo saudável, observando as pontencialidades de seu contexto, buscar a diversificação de suas fontes de energia. E porque não falarmos que o organismo social consciente precisa pensar no futuro ao optar pela maneira de alimentar suas atividades?

A forma de produção, distribuição e uso da energia compõe a chamada matriz energética. Diversificar as maneiras de geração para minimizar a dependência de apenas uma fonte de energia é uma ação evidentemente inteligente. No entanto, cabe sempre a pergunta sobre o impacto gerado pela produção da energia. E também observarmos se o que define nossa ação no campo energético são demandas imediatas ou projetos que nos levem ao modelo de desenvolvimento desejado.

Uma economia sustentável deve considerar o modelo energético atual revendo a participação da geração de energia com uso de recursos não renováveis. Nos últimos anos, na contramão do potencial de nosso contexto, ampliamos a produção energética com termoelétricas e voltou à pauta a diversificação na produção com energia nuclear. É esse Brasil que queremos?

Mesmo considerada limpa, por ser de fonte renovável, a energia hidroelétrica traz um questionamento em si pelos impactos à biodiversidade e às comunidades próximas aos empreendimentos. Quando olharemos com seriedade para nosso potencial eólico, solar e de biomassa? Apenas quando a expansão das hidroelétricas não for mais possível? Não será tarde demais?

Veja o que dizem as diretrizes de governo de Marina: “Ampliar a diversificação nos projetos de geração, de forma que o país possa usar a complementaridade de diferentes fontes para a sustentabilidade da oferta de energia renovável. Entre essas fontes merecem destaque a eletricidade cogerada no processamento da cana-de-açúcar, advinda dos projetos eólicos de grande altura (acima de 80 metros) e dos sítios “offshore”, além dos projetos hidroelétricos já em andamento, como os do Rio Madeira. Os novos aproveitamentos hidroelétricos – principalmente da Bacia Amazônica – deverão ter sua avaliação ambiental estratégica e integrada amplamente divulgada e devidamente analisada a partir de suas audiências públicas.”

Qual será a escolha consciente de geração de energia para nosso organismo social? Como manteremos nossas atividades com os pés no presente e olhos no futuro?


Tags: economia, energia, hidroelétricas, matriz energética

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Pouco tenho ouvido/lido sobre o uso dos resíduos sólidos como fonte geradora de renda, via reaproveitamento/reciclagem, e de energia, a partir dos gases liberados nos aterros sanitários ou queima dos resíduos não aprovetáveis. Gostaria de ver esse tema incluído na pauta, já que a destinação dos resíduos é um dos graves problemas existentes e com tendência a se agravar cada vez mais, e a demanda por energia cresce assustadoramente.

Outra questão importante é a exploração do óleo da camada pré-sal, apontada como mais uma "tábua da salvação". O primeiro ponto é que, quando se busca fontes energéticas mais limpas, temos pela frente a exploração/uso de um combustível muito mais poluente que o atual. Isso não é divulgado. O segundo é a alardeada riqueza que o mesmo proporcionará. Pergunta: riqueza para quem? Se tomarmos como base o município (Cabo Frio-RJ) ou região onde moro, veremos claramente que o povo tem sido muito pouco beneficiado com essas riquezas. Grande parte dos recursos vindos dos royalties tem sido aplicadas em obras eleitoreiras e eventos/shows superfaturados, gerando feudos eleitorais e verdadeiros marajás no meio político. Para o povo, as sobras enganadoras. Exemplo claro é a posição do estado do RJ no IDEB. O estado que mais se beneficia com a exploração do petróleo entre os últimos colocados no ranking da educação. Endendo que essa questão precisa ser seriamente discutida.

Muitas são as questões a serem levantadas sobre os desvios de rumo em nosso país. Vamos trazê-las à tona.

Cordialmente.

Paulo Klem
Cabo Frio-RJ
Olá Paulo,

Também me intriga a forma como simplesmente descartamos os resíduos e vivemos nosso dia a dia como se eles desaparecessem assim que colocamos a sacolinha na lixeira. Concordo contigo que pensar na geração de energia nos aterros seria ótimo. Lamento dizer que aqui em Brasília nem aterro temos, pois a máfia do lixo se beneficia claramente da não fiscalização e temos nosso lixão instalado na área de proteção do parque nacional. Coisas que só não vê quem não quer. Então, antes de gerarmos energia nos aterros, talvez projetar e instalar aterros com essa finalidade, né?

Sobre o pré-sal, vem aí a venda de ações da Petrobrás, afinal quem não quer ser dono dessa empresa? É... contradições que valem enfrentarmos.
Verdade, Clóvis.

Os lixões estão espalhados por todo o país, assim como a máfia do lixo. Pouca gente ganhando muito dinheiro com o lixo, quando deveria ser o contrário. O lixo pode gerar renda para muita gente. Porém não existe interesse político nisso, já que dalí sai verba para campanhas do políticos envolvidos.
O aterro sanitário sozinho não resolve o problema pois ele tem um tempo de vida útil muito curto em relação ao alto custo de implantação e operação. Aqui na minha região, depois de longo processo envolvendo MP e órgãos ambientais, foi implantado um aterro em um município vizinho para atender aos municípios da região. Ele é operado pela iniciativa privada e cada município (inclusive aquele onde está instalado) paga um valor por tonelada "estimada" (não existe pesagem) ali depositada. Todo o sistema de coleta e tranporte dos resíduos aqui é terceirizado. Até os os varredores de ruas pertencem a empresas contratadas. Imagina o quanto de dinheiro vai pelo ralo!
Na verdade, o que precisamos é um pacote completo: campanhas educativas para separação dos resíduos nas residências/empresas, coleta seletiva, galpões e equipamentos para reciclagem e, no final, o aterro/usina para geração de energia. E o principal: tudo operado por cooperativas independentes.

Quanto aos royalties do petróleo, tanto os atuais quanto os futuros provenientes do pré-sal, penso que deveríamos lutar por uma legislação que obrigue a destinações específicas, como saneamento, recuperação e preservação do patrimônio ambiental, histórico e cultural, educação ambiental, formação de pessoal e aquisição de equipamentos de prevenção contra posíveis acidentes e um fundo para uso emergencial no caso também de acidentes. E o principal: acompanhamento da aplicação desses recursos pela sociedade civil.

Enfim...
Sonhar não custa nada, não é mesmo?!
E mais. Para quem pensa que o discurso da sustentabilidade atrapalharia o desenvolvimento industrial, está tendo uma visao muito simplista e pouco futurista.

Como o próprio nome já sugere, as fontes nao-renováveis de energia, ainda muito latentes em todo o globo, hão de se esgotar eventualmente, e aí está o ponto: investir em energia alternativa, limpa e inesgotável, expoente da campanha de Marina Silva e de todo o Partido Verde, apenas garante a futura hegemonia econômica (e consequentemente social) do Brasil, em um futuro próximo, não apenas no referente à obtenção de energia pelos brasileiros, mas também pela exportação de combustíveis e de tecnologia.

Além disso, esse papel (e tanto!) em potencial chama a atenção da comunidade internacional para o progresso da nação, o que nos rende prestígio e um sítio privilegiado nas decisões internacionais. Prova disso são os esforços dos Estados Unidos e da China, em especial, em desenvolver fontes de energia renováveis, além da visível dependência dos paises europeus para com os combustíveis vindos da Rússia e do Oriente Médio, e os abalos a nível global causados pela Crise do Petróleo, em 1973.

Os números mostram que quase metade da matriz energética brasileira é de fonte renovável, superior aos patéticos 12% da média mundial. Mas, ainda há muito o que evoluir. As propostas de Marina Silva me pareceram muito sólidas nesse sentido, e esse é um dos motimos de meu voto já estar destinado a essa figura tão revolucionária.

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