Movimento Marina Silva

Com certeza você já ouviu falar que o Brasil precisa de uma Reforma Política. É só pintar uma crise – mensalão do PT, mensalão do DEM, escândalo do Sarney... – e a receita parece ser a mesma: Reforma Política. Mas Reforma Política pode ser uma porção de coisa: reforma do processo eleitoral, reforma da relação do governo com o Congresso e com o Judiciário, moralização do serviço público, fim dos cargos em comissão, e por aí afora. Vamos tratar cada uma dessas coisas, lembrando sempre que o Brasil anda precisando de uma porção de reformas, a começar pela reforma da falta de vergonha na cara, que assola a vida pública e que parece ser a marca registrada de muito político brasileiro. Principalmente daqueles que fingem não saber que desenvolvimento sustentável exige defesa intransigente do meio-ambiente. Mas deixa isso pra lá!...
Na maioria das vezes, quando alguém fala ou escreve sobre Reforma Política o assunto é mesmo a questão eleitoral: financiamento de campanha, fidelidade partidária, coligações, número de deputados e senadores por Estado, quantidade de voto para alguém ser eleito deputado ou senador, tipo de voto (proporcional ou majoritário).


Antes de tratar dessa reforma (eleitoral) é preciso que as pessoas saibam que os partidos políticos divergem quanto ao que deve ser reformado e como algo deve ser mudado. nessa matéria, tanto faz ser progressista ou conservador: a posição de cada partido vai depender muito do que ele perde ou ganha com isso. É bom alguns exemplos: todo partido pequeno quer a existência de coligação porque com a coligação ele se junta a um partido maior ou mais popular e consegue eleger alguém; sem a coligação fica mais difícil. Todo partido pequeno não quer que seja exigido um número mínimo de votos dados ao partido para ele poder ter deputados na Câmara federal (cláusula de barreira). Todo partido que tem muito apoiador no meio empresarial quer que o financiamento da campanha possa ser feito pelas empresas e não apenas pelo dinheiro público. E assim por diante.


De cara, portanto, antes de dar seu palpite, é bom que você consiga saber qual a de cada partido político, para não sair dizendo besteira por aí ou fazendo papel de massa de manobra, isto é, papel de quem ouve o galo cantar e não sabe aonde. Tente por você mesmo descobrir o que PT, PV, PMDB. DEM, PSDB. PC do B, por exemplo, podem pensar de assuntos como os que listamos (coligações, cláusula de barreira, fidelidade partidária, financiamento de campanha, etc.). Esse é um bom exercício para quem quer pensar com a própria cabeça. Vá em frente nisso e depois, se tiver interesse pelo assunto, me escreva para a gente continuar aprendendo.

Exibições: 33

Responder esta

Respostas a este tópico

Claudio,

Obrigado pelas referencias elogiosas. Sinto premiado por tentar organizar um partido que poderia ter sido completamento diferente, mas se tornou o mais igual de todos. Conhecí Chico Mendes e muita gente bem intencionada.Mas você teve um papel fundamental na organização do PV em Minas e gastou uma enorme energia nisso.  Tivemos, no entanto, vários erros estratégicos e políticos, mais motivados pela pouca experiência nossa. Eu defendia muito a briga pela autenticidade do partido, que tinha que atrair militantes idelistas e comprometidos e não ficarmos deslumbrados com o poder e pela presença marcante de artistas e figurões. Infelizmente sucumbimos ao pragmatismo imediatista de que o PV tinha de crescer a qualquer custo e assim não fomos nada seletivos em impedir que oportunistas e despreparados assumissem o controle do partido, daí meu desencanto. Os donos do PV, encastelados no Rio de Janeiro, como Sirkys, Gabeira, Minc foram reconhecidamente grandes maestros para a implantação do PV no Brasil, mas também foram excessivamente centralistas e muito permissivos com os eco-oportunistas.

Topo discutir mais o nosso momento e a concepção de um novo movimento político-ambiental, mas com pessoas apaixonadas e ao mesmo tempo focadas na transformação real. Quanto ao nome do movimento isso poderia ser feito depois, mas a idéia de um nome monocromático não me agrada muito.

 

Alexandre Heringer Lisboa

RSS

© 2012   Criado por Movimento.

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço