Qual o Brasil que queremos?
1.FBrasil com proteção social integrada e universal
Como?
Garantindo financiamento ao Sistema Único de Saúde
29! Emenda 29! Escutando isso nas eleições, pensamos que é o número de um partido ou alguém clamando para que políticos sejam corrigos. De fato é o número de um partido e também seria ótimo se agregado à palavra emenda representasse o clamor pela correção daquilo que está errado. No entanto, a emenda é constitucional e trata de algo também muito solicitado por brasileir@s: o direito à saúde.
A Emenda Constitucional 29 aborda questão central para o Sistema Único de Saúde: o financimento. A modificação na Constituição veio em 2000, mas até hoje não foi regulamentada impossibilitando seu cumprimento. Mas o que dispõe esta emenda que se torna famosa a cada período eleitoral? Ela reforça o papel do controle social no orçamento e prevê sanções para os municípios e estados que descumprirem os níveis mínimos de investimento em saúde. E também estabelece a vinculação de recursos de receitas tributárias à saúde, ou seja, nos três níveis da federação, existiria um percentual mínimo de aplicação do orçamento do governo aos serviços de saúde.
Um projeto de lei complementar para a regulamentação já tramita no Congresso há anos, mas não se chega a um consenso sobre como fazer a repartição dos recursos da União, nem sobre a fonte de recursos que garantirá a efetivação da vinculação de gastos. Já foi CPMF, falou-se em CSS e de sigla em sigla percebemos que não é nossa prioridade a garantia do direito à saúde.
O financiamento do setor hoje está basicamente a cargo de recursos que são fornecidos pela seguridade social e complementados com o Fundo Nacional de Saúde. Porém, a necessidade parece ser mesmo estabelecer percentuais mínimos do orçamento ou continuaremos nos patamares atuais e sofrendo com os constantes contingenciamentos para o tal superávit primário. Em 2010 a previsão de gastos da União com saúde é de R$ 66 bilhões, sendo que para chegar aos mínimos 10%, pretendidos no projeto que tenta regulamentar a Emenda 29, teríamos que duplicar o orçamento atual.
Marina, nas diretrizes de governo, defende esta regulamentação: “Articular no Congresso Nacional a imediata regulamentação da EC 29/2000. Implantar imediatamente o aumento do aporte federal para o SUS, até atingir o percentual que está previsto na regulamentação da Emenda. Exigir que os governos estaduais cumpram o que está previsto na EC 29/2000.”
Se a fonte de recursos precisa ser exclusiva, que reconheçamos antes que a prioridade não é a saúde. Só a renúncia fiscal do setor está em R$ 3 bilhões, ou seja, com as deduções de gastos com saúde no imposto de renda e com as isenções para os planos de saúde o governo deixa de arrecadar esse valor anualmente. Isso poderia ser aplicado em saúde? Certamente se a obrigação legal existisse e houvesse, por parte da sociedade e dos órgãos de controle, a fiscalização e a cobrança.
No entanto, no Brasil que temos, a cada ano, aumentam os gastos com sáude, mas na medicina suplementar. É cada vez maior a quantidade de brasileir@s que buscam seu direito à saúde pela via individual do plano de saúde. Sem achar que a 29 é a solução definitiva, pois os recursos serão sempre limitados. Há que se encontrar uma forma de garantir o financiamento mínimo para o Sistema Único de Saúde. Ou será que continuaremos a ver a própria União desacreditando o sistema ao ampliar os gastos com planos de saúde corporativos para seus funcionários?