Qual o Brasil que queremos?
1.FBrasil com Economia sustentável
Como?
Fortalecendo a economia solidária
Não estamos em uma rua sem saída. Mesmo que haja a crença que a competição é o fundamento das relações sociais, que as necessidades humanas só podem ser satisfeitas com mercadorias e que a finalidade da atividade econômica é a acumulação de capital, há possibilidades de alterar o percurso. É possível virar na próxima esquina e caminhar por trajetos em que a distribuição vem como contraponto à acumulação e que a cooperação orienta as relações colocando o ser humano como sujeito e finalidade da atividade econômica.
A viabilidade de empreendimentos de economia solidária nos mais diferentes setores mostra que o desemprego, a exclusão e a injustiça são frutos do caminho escolhido. Sem aguardar pela grande revolução, dezenas de milhares de iniciativas no Brasil fazem a virada revolucionando o cotidiano e trazendo soluções para a produção, o consumo e a comercialização de bens e serviços de modo autogerido e centrado no ser humano. São cooperativas, associações, empresas de autogestão, famílias agricultoras, fundos rotativos de crédito, grupos de trocas solidárias, ecovilas, redes de comercialização, articulações de cadeias produtivas, lojas de comércio justo, entre outras.
Gente que faz, na prática, a inversão da lógica capitalista. A economia sustentável ganha assim contornos diferenciados quando a organização econômica baseia-se no trabalho associado, na propriedade coletiva dos meios de produção, na cooperação, na autogestão e em relações respeitosas com a natureza. Seria uma alternativa para tornar concreto o desejado desenvolvimento sustentável e socialmente justo?
Marina percebe o potencial da revolução silenciosa que está em curso no país: “Fortalecer a economia solidária aprofundando seus laços com a sustentabilidade e a inserção dos empreendimentos da economia solidária no mercado justo e sua articulação com os movimentos e redes de consumo consciente e sustentável. Criar um Sistema Nacional de Economia Solidária, em bases sustentáveis, e fomentar os empreendimentos solidários: Cooperativas, Associações, Empresas Autogestionárias, Bancos Solidários; Feiras e Lojas de Economia Solidária; Clubes de Trocas e Programas de Incentivo ao Consumo Responsável; Incubadoras de empreendimentos solidários e tecnologias sociais. Estabelecer espaços articuladores da economia solidária (Secretarias, Conselhos, etc.) nas três esferas da federação (nacional, estadual e municipal).”
Se as rotas econômicas nos trouxeram até este ponto, quais os caminhos possíveis ao Brasil que queremos? Podemos traçar nosso destino sem nos deixar levar por sentidos únicos do trânsito econômico? Será a economia solidária uma direção alternativa capaz de reestruturar as relações dos seres humanos entre si e destes com a natureza?