Qual o Brasil que queremos?
1. Brasil com Economia sustentável
Como?
Efetivando a justiça tributária
Fala-se muito da necessidade da reforma tributária, indicando que enorme parcela da riqueza produzida fica retida nos impostos. No entanto, pouco ou nada se diz que apenas um terço do que o governo arrecada é destinado a gastos e investimentos. O restante retorna à circulação pelas vias da transferência direta, da previdência social e do pagamento de serviços da dívida.
A ideia da alta tributação é útil a quem paga menos impostos, pois sem entrar no detalhamento da verdadeira trama tributária é mais fácil manter os privilégios e a estrutura que fortalecem a injustiça social. No atual sistema tributário, a cada R$ 2 ganhos por um brasileiro de baixa renda, R$ 1 é repassado ao governo por meio de impostos. Enquanto isso, a cada R$ 3 reais obtidos por um rico apenas R$ 1 é encaminhado ao Estado.
Invertemos com isso a noção de justiça, tendo em vista a regressão tributária impulsionada pela arrecadação garantida com impostos indiretos, ou seja, aqueles que incidem sobre produtos e serviços. Nesses impostos tod@s pagam a mesma quantidade de tributos, isso faz com que pessoas com renda menor paguem percentualmente mais tributos que pessoas com renda maior.
O que fazer para buscarmos a justiça tributária? Um caminho seria a progressão, ou seja, quem pode mais deveria pagar mais. Isso poderia acontecer nos impostos diretos, aqueles que incidem sobre a renda e a propriedade. Assim, faixas de tributação seriam estabelecidas de acordo com a capacidade de pagamento. Outra ação para a busca de justiça seria a tributação de grandes fortunas, como previsto na Constituição e até hoje não regulamentado.
Veja o que diz Marina: “O nosso sistema tributário precisa ser reestruturado com firmeza e intensidade de propósito. O compromisso é promover uma reforma tributária que busque a simplificação e a transparência do sistema, o aumento da progressividade tributária através da redução da participação de impostos indiretos e dos impostos que incidem sobre a folha de pagamento na carga total, maior transparência para a sociedade e a redução da carga tributária, que só pode ser alcançada no médio prazo com a redução do crescimento dos gastos públicos.”
Cabe avaliarmos se de fato a carga tributária é alta, tendo em vista a devolução direta à sociedade, e se ela será reduzida com a imediata redução de gastos públicos sem que aí estejam computados os serviços da dívida pública que beneficiam poucos investidores. Também é importante pensarmos se no Brasil que queremos será mantida a matriz de arrecadação que hoje concentra sua ação em impostos sobre produtos e serviços que afeta mais quem ganha menos, ou se faremos a transição para um modelo de arrecadação progressivo que tenha incidência maior na propriedade e na renda de quem pode pagar mais.
Para saber mais