Qual o Brasil que queremos?
1. Brasil com Educação de qualidade
Como?
Dando atenção à primeira infância
*Se preferir, escute aqui o conteúdo deste texto.

"... Quebra-cabeça, boneca, peteca, botão, pega-pega, papel, papelão... Criança não trabalha, criança dá trabalho..." Essa canção nos lembra a brincadeira e o espaço de afeto e estímulo do qual precisamos em nossos primeiros anos de vida. A primeira infância, período de 0 a 6 anos, é a base para o desenvolvimento do ser humano em suas dimensões cognitiva, emocional e social. Mas qual a atenção necessária para essa fase da vida?
Certamente o cuidado essencial se encontra na família. No entanto, sabe-se que pela dinâmica social é difícil prescindir de estruturas que ofereçam espaço de afeto e estímulo para crianças. É óbvio que pais e mães, pela necessidade de trabalho, necessitem de creches e jardins de infância para que suas filhas e filhos estejam seguros e bem tratados. Apesar disso, no Brasil temos um déficit de 85%, ou seja, apenas 15% das crianças têm atendimento em instituições de educação infantil.
Somente na Lei de Diretrizes e Bases de 1996 instituímos a educação infantil como parte do sistema de ensino brasileiro. E o Plano Nacional de Educação previa que dez anos depois teríamos ao menos 30% de crianças atendidas, mas à época alcançamos menos da metade desta meta. Por isso, priorizar crianças no atendimento das políticas públicas se faz urgente.
Mas não basta a construção de milhares de creches. Se @s profissionais destas instituições não estiverem preparad@s para atuação com pessoas em desenvolvimento, poderemos ter uma reedição da roda dos expostos - alegoria que traz a ideia de abandono e mínimo cuidado por instituições de caridade. Assim, a atenção à primeira infância precisa articular áreas como educação, saúde e assistência social.
É o que propõe Marina:
“Apoiar a ampliação de creches com instalações apropriadas, condições básicas de higiene e profissionais qualificados, para que as mulheres possam trabalhar com tranquilidade. Garantir qualidade nas creches públicas com cogestão comunitária, assegurando supervisão com o intuito de prover funcionamento e educação adequados. Integrar as políticas de atendimento à primeira infância aos programas de apoio à família com transferência de renda e capacitação relativa aos cuidados de saúde e ao desenvolvimento físico, cognitivo e emocional das crianças feito por agentes comunitários.”
Para além da expansão da estrutura para atendimento que também exige qualificação de educadores para atuação nas creches, o que se propõe é integração com políticas sociais. Isso é importante, pois a qualidade da estrutura e da atuação no atendimento à primeira infância contribui para a redução de desigualdades nos campos da educação e da saúde.
Se a justiça social é base para o Brasil que queremos, precisamos superar a dicotomia entre cuidado e educação que traz a diferença de atendimento entre crianças pobres e ricas. Enquanto crianças pobres são cuidadas com tratamento de higiene e alimentação, crianças ricas são educadas com estímulo ao desenvolvimento. Fato é que boa parte das crianças nem estão sendo atendidas ainda, mas se a atenção devida for dada a esta fase da vida poderemos criar espaços integrados de cuidado e educação que garantam os direitos das crianças para que continuem nos dando trabalho ao viver o direito à brincadeira.
Para saber mais:
Tags: creche, educacao, infancia, marina
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Permalink Responder até Lucas Coelho Brandão em 27 agosto 2010 at 11:42
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Permalink Responder até Benedito Rangel em 31 agosto 2010 at 10:36
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