CRESCIMENTO ECONOMICO OU CRESCIMENTO ECO CÔMICO ???
“Quando a política doentia rege a economia, a economia também adoece.” (Nilton Moreira Coutinho)
A expectativa é pela estabilidade da Selic em 10,75%, até o final de 2010, retribuindo favores eleitorais dos banqueiros para
as eleições dos partidos governistas. Sem um cenário confirmado de retomada
forte da atividade, com inflação corrente “baixa” (conceito tupiniquim) e expectativas próximas à meta e convergindo
para o centro em um prazo de um a dois anos, o Comitê de Política Monetária
(Copom) deve mesmo encerrar o ciclo de ajustes da Selic. Surpreendente seria se elevasse ainda meio
ponto percentual da fatídica Selic, ate o final de 2010. Mas numa economia doente
e ortodoxa, comandada por objetivos
eleitoreiros, tudo é possível e nada surpreende. Uma sensata parada técnica na elevação da taxa básica de juros
nos meses de setembro e outubro, ou, quem sabe, até uma ousada redução na
mesma, seria a medida mais coerente.. Juros altos não sustentam desenvolvimento econômico e o capital externo vem em busca de lucros
que não tem nos EUA ou no Japão. Então
os investidores internacionais fazem a festa, investindo milhões e bilhões de
dólares com rentabilidade elevada para os padrões dos paises desenvolvidos. Derruba
e torna irreal a cotação do dólar, eleva a do real, bloqueia as
exportações e facilita as importações e viagens ao exterior, onde o povinho
tupiniquim enche as malas e volta feliz da vida. Uma combinação suicida,
verdadeira sangria nos cofres públicos e também no bolso do povo. A dívida pública da União passa de R$ 1,5
trilhão, e o superávit vem caindo todos os meses. Isso inviabiliza projetos de
investimento em infraestrutura,
Qualquer estudante de economia saberia concluir que a previsão para o
patamar da Selic no fim deste ano caiu de 11,25% para 11%, e já esta em 10,75 e
que juros altos são um ralo por onde escoam dezenas de bilhões de reais que
poderiam ser empregados em rodovias, portos, ferrovias, educação, segurança,
aeroportos, etc... Estas taxas elevam a divida publica, enriquecem os
banqueiros e os investidores internacionais e sugam os bilhões de reais que
poderiam ser investidos em infraestrutura e melhoria de padrão de vida do
brasileiro. O calculo do PIB, adotado
pelo IBGE, tem peso prioritário na
elevação do consumo, como se o fato de comprar eletrodomésticos, computadores e
carros em pequenas prestações e longo prazo,
em 12, 24, 48 e ate em 72 meses,
no caso dos automóveis e motos, etc.... (que muitas vezes não conseguem ser
pagas) demonstrasse melhoria de padrão
de vida. Analistas projetam que o
Produto Interno Bruto (PIB) continuará crescendo ao longo de 2010, porém com
inflação de agosto a dezembro, na medição do Índice Nacional de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA),e na média de 0,42% ao mês.
O IPCA de 2010 tem projeção de 5,1% e a Selic de 11,25%. O último reajuste da
taxa foi menor do que o previsto, e isso gera a sensação de que as coisas estão
sobre controle. A decisão foi legítima devido às incertezas sobre a economia
mundial, mas deveria ter sido ajustada tão logo começou a ocorrer a recuperação
da atividade econômica mundial, no inicio de 2010. Mas os economistas do
governo preferiram “mentir pra eles próprios”, ou seja, deixar a previsão nas
alturas, pra depois evocarem que chegamos a 2010 com taxas abaixo da
prevista. O problema é que a parcela do
IPCA formada por preços administrados começará 2011 acima do centro da meta da
inflação. É que esses preços serão corrigidos pela taxa de 9,2%, que é a
previsão de algumas instituições para o fechamento do Índice Geral de Preços do
Mercado (IGP-M) neste ano. Assim, 2011
tem tudo pra ser um ano com arrocho salarial e fiscal, com o mercado e os serviços públicos
ajustando preços em torno de 9 por cento, enquanto os salários devem ficar
atrelados próximos aos 5 por cento já
definidos ate para o reajuste do salário mínimo.
Usando politicamente esta situação, a candidata do governo já se antecipa afirmando que para 2011/2012, irá
“negociar” com sindicatos e centrais sindicais os reajustes salariais. Na verdade, esta dizendo que em 2011 vamos
pagar a conta, mais ainda do que já pagamos, e em 2012 talvez alguma migalha
retorne para o povinho ingênuo e iludido que, diria eu, já nem posso afirmar
que acredita em tudo, mas, tristemente, nem quer saber, avaliar, estudar ou
perceber.
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